Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.
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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Pirâmide do Faraó

Sempre quando chego a escola, os alunos ficam felizes em me ver, na terça-feira aconteceu algo bem legal, um dos alunos do 3º ano também era meu aluno nas aulas do projeto no ano passado, quando ele me viu na fila ficou muito feliz e alegre! Ele ainda não sabia que as aulas haviam voltado, pois ele havia faltado nas aulas anteriores. Esse aluno foi o mesmo que ano passado falou que nem que ele tivesse que falar  com a diretora, mas as aulas do projeto não poderiam acabar. Eu fiquei igualmente feliz de vê-lo. Eu fui para a sala dele, e fui chamando cada turminha, ele foi da última turminha, e quando chegamos na sala, ele realmente ficou muito feliz por estar lá na minha aula.
A atividade que estou realizando essa semana é a da “Pirâmide do Faraó”. Os alunos adoraram quando eu estava desenhando a pirâmide na lousa, a maioria deles pensou que era um bolo, quando expliquei o jogo eles ficaram empolgados, a maioria deles não percebeu a questão de jogar em 1 ou 2 quadradinhos, houve apenas uma turminha que realmente percebeu isso, eu apenas falei para eles prestarem atenção principalmente nas últimas jogadas. Muitos achavam que eu ganhava na maioria das vezes por jogar mais vezes em 2 quadradinhos do que em 1. Eu fui fazendo com eles jogassem de 2 em 2, mas um aluno quando ganhou, ficou competindo com os outros e achando que era melhor que o colega, tive que conversar com eles sobre a questão de competição que não é só por que a pessoa ganha que  é melhor que o colega. Achei bem interessante que uma das alunas comentou que uma vez ela foi para um campeonato e havia perdido um jogo, ela falou que perdeu, mas que havia ganhado outra coisa mais importante, ela falou que ganhou dois amigos e que isso era muito importante. Todos concordaram que ganhar amigos também era importante.

Abaixo algumas fotos dos alunos jogando.


Ímpar ou par

Voltar com as aulas do projeto, foi realmente muito bom! Não só por as crianças lembrarem e de mim e ficarem ansiosas toda vez que entro na sala para levá-los para minhas aulas, mas também pela oportunidade de propiciar a experiência do projeto para outras crianças.
Semana passada quando fiz a atividade dos números pares e ímpares, modifiquei um pouco, escrevi de um lado da lousa “Par” e alguns números pares e do outro “Ímpar” e alguns números ímpares, para facilitar para os que não sabiam ler, coloquei os números pares em um círculo e os ímpares em um quadrado. Em seguida falei vários números até que eles tivessem entendido, depois resolvi dar números aleatórios escritos em um papel para os alunos, e quem tivesse com um número par iria para um lado da lousa e quem tivesse com número ímpar iria para o outro. Essa modificação foi bem interessante, ao meu ver, pois cada um iria analisar com seu próprio conhecimento em vez de apenas repetir o que os colegas falavam e quem não havia entendido poderia entender. Depois que cada um deles já havia escolhido o seu lado, eu pegava o papel de cada um e perguntava para eles se o número seria par ou ímpar. Foi bem interessante, eles rapidamente aprenderam. Até me surpreendi quando perguntei a um dos alunos qual o maior número que ele achava que existia para vermos se seria par ou ímpar e ele falou infinito, aproveitei para falar um pouco sobre o infinito. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

o questionário incompleto que é uma felicidade

Em uma das turmas, tive um aluno que, no primeiro questionário, preencheu apenas o seu nome. Mesmo depois de vários encontros, era difícil fazê-lo participar das aulas.

Tive uma surpresa quando, um dia, em uma atividade em que fiz o jogo da senha (adivinhar um número), ele me pediu para escrever os números na lousa! (eu escrevia os algarismos de 0 a 9 na lousa para que as crianças pudessem, primeiro, observar quais os algarismos que formavam o número que eu tinha em mente). 

No questionário final, não tinha muita esperança de que ele quisesse respondê-lo. Realmente, logo que entreguei o questionário para a turma, ele se negou a fazer. Abaixou a cabeça e lá ficou. Sentei do seu lado e pedi, educadamente, que ele pelo menos colocasse seu nome. Fui lendo as questões para ele e ele respondeu mais de metade das questões!

No outro dia, fui a mesma escola para dar aula para outras turmas e este aluno me abraçou e sorriu. Depois de tantos altos e baixos, não poderia ter tido uma despedida mais feliz.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Evolução das nossas aulas

Estamos chegando à etapa final de nossas aulas na maioria das escolas, mas eu, e alguns outros educadores, tivemos a oportunidade de começar em novas escolas neste fim de semestre.

Dando aula com a Janaína, nesta sexta-feira, vi como nossos estilos se adaptaram e como agora contamos com um leque maior de ideias para fazer as crianças se entusiasmarem com a nossa matemática. Imagino que seja assim com todos.

Para começar, fiz a reta e a Janaína desenhou um minion (sabem? Os minions do filme "Meu Malvado Favorito"). O nome elegido pela turma foi Bananinha - que suscitou a lembrança dos Bananas de Pijamas (um programa infantil criado na década de 90). Para nossa surpresa, as crianças conhecem este programa.

Colocamos os números na reta, com o auxílio das crianças e começamos a tentar fazê-las chegar ao conceito dos números negativos. Sorvete, Papai Noel (com Polo Norte), jornais de TV que falam "abaixo de zero", mas nada funcionava.

Demos uma pausa e resolvemos fazer pulos com o Bananinha para que ele pudesse pegar seu pijama, que estava no 12. Fomos indo de 1 em 1, de 2 em 2, ... etc. Eu sinto que aprendi a cometer mais erros, e tento chutar para mostrar às crianças que é isso que devemos fazer sempre: ter palpites/estimativas sobre o que está acontecendo. Em certo momento, escrevi mais números na reta, mas pulei alguns números. Prontamente, todos os alunos notaram!

Já no fim da aula, coloquei, ao lado da reta horizontal, uma reta vertical. Perguntamos se eles já tinham andado de elevador e sobre os botões que existiam no elevador. Chegamos até o térreo (zero) e surpresa: alguém fala (depois de eu perguntar sobre a garagem do prédio), "-1!!!".

Saí dessa aula muito feliz por nós duas e por todos os educadores do Círculo.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Aprendizagem

Boa tarde a todos!

Só queria compartilhar como o círculo da matemática está me ajudando com tudo, nessa semana eu percebi como eu também aprendo com as crianças, um dos intuitos do projeto é fazer com que as crianças participem mais e nessa semana além de ver algumas crianças participando muito mais, eu mesma nas minhas aulas fiquei mais participativa. Enfim o projeto além de ajudar as crianças têm me ajudado muito também em muitos aspectos e eu só tenho a agradecer esse maravilhoso projeto que tenho certeza que vai crescer muito mais e ajudar muitas pessoas!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Filmagem

Olá a todos!

Hoje vou comentar rapidamente sobre as filmagens, eles foram lindos! Claro que umas duas crianças ficaram agitadas por causa das câmeras mas as outras esqueceram da presença da Geórgia e das câmeras e simplesmente se interessaram na aula mesmo (eu fiz o labirinto e eles adoraram). Na verdade esse post foi só pra elogiar minha turminha de quarto ano, eles foram maravilhosos ao contrário de todas as expectativas (confesso que eu estava com medo de eles ficarem agitados com a presença de algo diferente na aula).

Abraços a todos!
Catarina

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Resultados positivos

Hoje quando eu fui buscar uma das turminhas, a professora deles veio falar comigo. Ela veio me dizer que eles terão aula até a semana que vem e que ela só ficará com os que estão com mais dificuldades durante o mês de dezembro.
Ela me disse que as atividades do Círculo da Matemática estão ajudando bastante e que eles melhoraram muito em Matemática. Me disse também que dia de terça, que é quando trabalho com as três turminhas que completam a turma dela, eles fazem a "terça da matemática". Fiquei muito feliz.
Ela também perguntou se eu trabalharia esse projeto no ano que vem, eu disse que não sabia, mas que se precisasse poderia contar comigo caso eu tivesse tempo. E disse ainda que espera e torce para que eu continue com eles no ano que vem!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Gênio da Matemática

Hoje quando estava passando pela trilha na escola, encontrei a professora das turminhas que eu trabalhei ontem com os pontos explosivos.
Ela me parou e falou: "Olha, Manoela, os alunos adoraram a tua aula de ontem!". Aí eu disse que eles participaram bastante mesmo ontem e que eu percebí que eles gostaram. Aí ela ainda acrescentou que um deles falou pra ela que agora já sabe tudo de Matemática, que agora ele é um gênio da Matemática.
Fiquei muito feliz ao ouvir isso.

Manoela Franco.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Semana do Círculo.....

Nesta semana além do feriado, algumas turmas tiveram prova e no momento vago entre uma prova e outra, brinquei com as crianças, digo brincar, porque este é conceito que as crianças têm das aulas do Círculo. É perceptível a alegria delas quando entro na sala, aí então percebo a relação que o Bob e a Ellen falam de amizade.
Ao chegar na escola, foi muito bom ver as crianças correndo para me abraçar e ouvir delas a seguinte pergunta "Tia hoje a senhora vai brincar com a gente?"; E quando respondi que sim começou uma grande euforia. Então assim que foram terminando suas provas eles foram pra outra sala comigo, alguns até queriam logo entregar  suas provas sem terminar para poder participar. E o mais interessante também foi que as crianças das outras turmas no intervalo curiosas e ansiosas perguntavam "O que a senhora tava fazendo com eles?" e logo em seguida "Vai brincar aqui também?".
Todo esse carinho e experiência são para toda vida. ;)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

As crianças e sua bagagem intelectual...

Qual foi a minha surpresa e alegria ao verificar os questionários já aplicados e encontrar respostas como as recortadas abaixo, de uma menina e um menino, respectivamente, de uma turminha de Ciclo I - 3° ano e perceber que por mais pequenas que as crianças possam ser, têm muito conhecimento e uma bagagem intelectual que muitas vezes são simplesmente atropelados pelo sistema educacional convencional, como se fossem incapazes de entender conceitos abstratos e conhecer matemática de um ponto de vista que nem precisam saber que é matemática. Nesse momento é que os medos surgem e criam-se os monstros da educação quando se "nivelam" todos os alunos às suas séries ou ao nível que se encontram matriculados e não se permite explorar aquilo que o aluno já traz consigo... O Círculo da Matemática é uma revolução por sua simplicidade e naturalidade pedagógica... Muito bom fazer parte disso!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O melhor dia da minha vida

Ontem ao dar uma aula antes do recreio para uma das minhas turminhas um fato me chamou muito a atenção: eles estavam completamente focados na atividade que estávamos fazendo. Qual foi minha surpresa ao soar o sino característico de que havia chegado a hora de se divertir, nenhum dos pequenos sequer moveu-se do lugar. Confrontei-os então com o óbvio ao dizer que era hora do recreio e eles poderiam sair da sala. Porém nenhum deles optou pela opção que os dei, pedindo até mesmo para que eu continuasse. Foi, então, o que fiz, tentando não me prolongar muito para que eles não se sentissem lesados por ter menos recreio que os outros. Foi realmente uma ótima experiência e me senti incrivelmente bem o resto do dia. Só tenho a agradecer ao projeto pela oportunidade de fazer parte dessa maravilhosa construção!

Ludmylla

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

ímpar, par, ímpar, par, ímpar, par, ímpar...

Hoje tentei uma atividade diferente com uma das turmas do Círculo. Propus que começássemos jogando o famoso jogo do "par ou ímpar", que eu sabia que os meninos desta turma conheciam. Eles prontamente se animaram. Fiz duas colunas na lousa para os resultados: par e ímpar.

Primeiro, dois meninos jogaram entre si. E, depois, adicionamos mais mãos (as minhas, inclusive) ao processo - um jogo de par ou ímpar em grupo. Fiz isso, pois pensei em mostrar a dificuldade de ver se um número é par ou ímpar na hora de decidir o vencedor (o algoritmo que eles usam consiste em dizer alternadamente, contando os dedos, "ímpar par ímpar par ímpar par ímpar par").

A brincadeira foi animada e fez bem a eles, pois (pela primeira vez na minha aula) senti que eles estavam calmos o suficiente para olhar para a lousa. Comecei perguntando: se tenho um par de sapatos, quantos sapatos eu tenho? E se eu tiver dois pares? Três pares? Dessa maneira, vimos que todo número da forma 2*<algum número> é par. Neste ponto, eles já estavam dispersos novamente e decidi partir para as operações entre números pares e ímpares.

Fiz alguns exemplos e pedi para eles fingirem estar jogando par ou ímpar (apenas usando exemplos) para ver qual seria o resultado final. Muitas vezes, eles contavam alternadamente ímpar e par e, às vezes, eu pedia para eles verificarem se existia algum número que, multiplicado por 2, dava o número que eles estavam procurando. Para cada operação aprendida, fazíamos um jogo depois para mostrar que o que tínhamos aprendido facilitava o cálculo do resultado do jogo. Trabalhamos com:

  • par + par = par
  • ímpar + par = ímpar
  • ímpar + ímpar = par
  • ímpar x ímpar = ímpar
  • ímpar x par = par
  • par x ímpar = par
  • par x par = par

Fiquei muito surpresa nesta aula, porque um aluno que nunca havia participado ativamente da aula, além de ter participado da aula, estava bravo porque tinha alunos que não estavam participando da atividade que, segundo ele, "era legal". Essa turma tem uma certa divisão, cada criança tem o seu grupo de amigos e não costuma se integrar com o "outro lado da sala", por isso, eu diria que a atividade deu "meio" certo. Mas, saí desta aula muito feliz por ver o sorriso das crianças depois de jogarmos a última partida, que perdi, aliás.

2º Ano Caloroso

Ontem ao chegar na escola logo fui abordada pelos alunos do 2º ano perguntando se era dia aula deles, eu falei que aula deles seria só amanhã, todos falaram: aaaaah tia, vamo hoje. Eu falei que hoje era os coleguinhas deles do 5º ano e do 3º ano. Fiquei muito feliz quando uma das alunas falou: "tia, tou muito ansiosa para que chegue logo amanhã". Fiquei surpresa por que eles não haviam demonstrado antes desse jeito. Vi o quanto a atenção que o projeto dá as crianças é importante acho que isso é uma das coisas que mais cativam as crianças, e logo foram me contar o que fizeram no fim de semana como meus amigos. Uma disse que foi à praia que esqueceu de passar protetor solar, outra falou que estava ansiosa para a dança da festinha que iria ter na escola. Então tocou o sinal e todos entramos juntos.
Hoje, cheguei na escola e fui recebida com muuuitos: “oi tia Carla!” e muitos abraços calorosos!  Hoje foi a vez do 2º ano. Foi muito bom ver a empolgação deles para a aula. Quando estávamos nos preparando para a acolhida, muitos deles ficavam olhando para mim sorrindo e dando tchau. Nas turminhas do 2º ano, a aula foi um pouco conturbada, pois eles estavam ansiosos para a festinha que eles iriam ter, pois eles não tiveram festa do dia das crianças, as meninas estavam me contando que ela iriam dançar, todas estavam de cabelo arrumado. As nossas aulas duraram pouquíssimo por causa disso. Dei para eles os pontos explosivos, eles gostaram bastante, pedi para uma  aluna resolver no quadro, mas como ela estava com muita vergonha pedi para os colegas ajudarem, sentei na cadeira da menina que foi resolver na lousa, logo eles falara: “agora a tia é aluna”, achei engraçado! E falei que também era sou aluna, estava lá para aprender também, e falei para ajudarmos a colega a resolver. Foi bem interessante por que todos que estavam mais distraídos começaram a prestar atenção e ajudar a resolver, infelizmente só deu tempo de resolver uma conta, mas foi bem interessante ficar do lado deles, acho que agora talvez eles tenham mais segurança. Em uma das contas anteriores assim que coloquei na lousa eles logo me perguntaram quanto era o resultado final, eu falei que não sabia que tínhamos que resolver juntos para descobrirmos. Eles ficaram surpresos deu não saber a resposta! 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Alunos agitados

Hoje a primeira aula do 3º ano foi muito conturbada, pois os meninos haviam voltado do intervalo! Estavam muito inquietos! Eu comecei a aula, na hora de responder o que eu perguntava, todos respondiam, mas eles gritavam e gritavam muito alto! Eles gritaram acho que umas 3 vezes que perguntei, e eu sempre pedindo pra eles falarem mais baixo. Quando vi que realmente eles não iriam parar de gritar, sentei e disse que precisava conversar com eles! Falei que nós estávamos perdendo muito tempo com a bagunça e a gritaria. Falei que eles poderiam não vir se eles não gostassem da aula. Falei que eles iriam gostar da aula se prestassem mais atenção e ficassem quietos, mas não calados. Mencionei também o quanto a participação de todos é importante, e que eu iria ouvir a resposta de todos eles, mesmo se eles falassem normalmente igual ao tom de voz que eu estava usando. Perguntei se eles sabiam quanto tempo de aula ainda tínhamos, eles não sabiam! Nós tínhamos apenas 10 minutos. Depois todos se acalmaram e começaram a prestar mais atenção na aula, tudo transcorreu muito bem! Inclusive tirei uma foto quanto a maioria estavam no quadro tentando resolver! Todos estavam querendo participar e ir na lousa ajudar o colega a fazer. Os 10 minutos finais valeram muito, espero que na próxima aula eles continuem desse jeito! (Não reparem a luz, é apenas o sol! rs)

Alunos do 3º ano fazendo contas com os pontos explosivos

domingo, 3 de novembro de 2013

Altos e baixos dessa semana

Nessa semana eu resolvi em algumas turmas usar a ideia da Viviane de usar uma escada de números. Mas na minha escada de números era o Mário quem subia a escada. A escada não tinha fim e ele precisava pegar a bandeira para passar de fase. Então eles escolhiam um número da escada que seria um portal até a bandeira e falavam de quantas maneiras eles podiam chegar até a escada. Um dos alunos deu a ideia de colocar alguns números bagunçados dentro da escada. Além de chegar no número da escada que era o portal, o Mario tinha que reorganizar os números na ordem para de fato chegar até a bandeira. 
Outra atividade que eu fiz foi questioná-los sobre quantos peixes existiam no mar, quantas estrelas existem no universo, quantas formigas existem no mundo, quantas folhas todas as árvores da Terra têm juntas. Eles sempre chutavam um número. Eles se deram conta que não dava para contar porque eram muitos. Quando eles percebiam isso eu perguntava se eles tivessem infinitas formigas, folhas, estrelas ou peixes e tirassem 1000000 quantos ficavam. Se eles tirassem só um elemento do grupo, quantos ficavam? E se eles colocassem? Foi divertido em algumas das turmas vê-los apostando em vários números, para perceberem que não importa se colocarem ou tirarem, continuam infinitas formigas, folhas, estrelas ou peixes.
Resolvi também usar a sugestão que o Bob me deu no Workshop pelo Skype. Adaptei a forca nas turmas que pediram forca. Em quatro turmas eu fiz isso. Em uma delas estávamos falando sobre o infinito e começaram a falar em quantidade de pernas, minutos depois me pediram uma forca. Então eu fiz com que cada pessoa na sala tivesse uma forca. Eles tinham que me dizer quantas pernas teria o conjunto de bonequinhos na forca se as pernas fossem aumentando. Funcionou, eles logo associaram com multiplicação. Na turma que estava relutante nas outras aulas eu usei a forca com a quantidade de pernas aumentando. O aluno que mais parecia desinteressado foi no quadro e mostrou como se fazia para contar todas as pernas e ainda sugeriu uma atividade. Pediu para que os colegas desenhassem três grupos de 10 objetos e perguntou como contar o conjunto de todos os objetos. 
Dois acontecimentos me deixaram muito feliz. Um dos meninos que teve a aula da forca adaptada, um dos que menos presta atenção e que menos participa, me viu no corredor da escola e me disse alegremente: "Tia, teve competição de tabuada na minha sala e eu errei só uma vez!". Isso fez o meu dia. Ele estava feliz com a matemática! O outro acontecimento foi em uma turma inteira. Eu perguntei a eles quantos cortes eles tinham que fazer dentro de um retângulo para colocar fotografias e fiz uma tabela com os valores. Foi bem simples, pois o número de espaços obtidos para colocar a fotografia era o número de cortes mais 1. Eu coloquei 10200 cortes. Quantos pedaços davam? Eles ficaram maravilhados quando falaram que era 10201. Parece a coisa mais boba do mundo, mas a felicidade deles valeu mais do que a complexidade.
Mas, claro que não foi tudo um mar de rosas. Algumas turmas não avançaram, em outras a bagunça foi superior e sempre tem que ter algum aluno desinteressado. Em três turmas tivemos que reconstruir os números negativos. 
Enfim, espero que as próximas aulas sejam melhores e que não só os alunos aprendam, mas também eu aprenda mais.

Até logo, pessoal!

Jessica de Abreu Barbosa


sábado, 2 de novembro de 2013

Primeiras aulas

Olá a todos!

Bom como algumas pessoas no circulo eu iniciei o projeto com as turmas essa semana, e foi muito bom!
Apliquei o questionário e com o resto do tempo que sobrou iniciei com a bailarina mas com o tempo reduzido desisti e resolvi fazer a maquina de função ou como falei para eles a "maquina de transformar de número". Alguns mostraram interesse, já outros acharam só um meio de sair daquela sala de aula chata. Iniciei com o "segredo" da maquina sendo somar dois. As crianças não entenderam nada e continuavam a chutar, algumas disseram que o segredo era sair mais roupa, anotei todos os palpites mas nenhum chegava próximo, no final da aula elas conseguiram mas muitas já estavam bastante dispersas então fiquei um pouco preocupada, acho que com os dias essa dispersão vai diminuindo. No fim apesar de tudo essa aula foi bastante produtiva, fez algumas crianças que no inicio estavam bastante dispersas prestarem um pouco mais de atenção. Espero no fim conseguir que todos prestem atenção e que gostem um pouco mais da matemática.
Em outra turma a "maquina de transformar números" foi bem mais interessante! Uma menina tinha a "síndrome de Rebeca" então toda vez que eu fazia um segredo ela logo descobria. Ao termino da segunda maquina, ela disse "tia isso tá muito fácil, faça um mais difícil!". Nesse instante eu fiquei em duvida, fazer algo mais difícil ou continuar em algo mais fácil? (até porque a turma não entendia tão rápido como ela). Resolvi fazer algo nem tão fácil, nem tão difícil. Algumas crianças não estavam mais interessadas mas outras estavam realmente tentando descobrir! No fim elas conseguiram e como o Bob e a Ellen eu continuei mesmo com o "segredo" descoberto e assim terminei a aula. Para a minha surpresa, enquanto guardava meu material uma aluna que ao longo da aula ficou bem calada (participando só quando eu perguntava algo) me deu um grande abraço! Confesso que eu fiquei bastante surpresa mas mais ainda feliz! No fim eu vi na prática o que alguns já falavam sobre a felicidade quando isso acontece. Enfim como o texto já está imenso vou parar por aqui.
Obrigada a todos por lerem!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Breves relatos de como o círculo tem contagiado uma escola de Fortaleza


Estou feliz com essa semana na escola. Percebi que o círculo tem alcançado os alunos e os professores também. Tive que adaptar algumas turmas, refazer horários para encaixar mais alunos nas turmas, pois todos os professores gostaram do projeto e desejam que seus alunos participem. Uma das professoras me relatou: "eu gostaria de aprender esse método". Ontem trabalhei com alunos do 4º Ano, e hoje alguns deles me pararam no intervalo para conversar sobre a máquina do gelo (máquina de funções escolhida por eles). Eles perguntaram quando teríamos aula novamente. E para encerrar, hoje ao fim da aula, com uma das turmas de alunos que ainda tem dificuldades com leitura e escrita, uma das crianças começou a desenhar na lousa. No momento eu estava organizando algumas coisas. Mesmo com dificuldades em ler e escrever, ela me pediu o piloto e perguntou como era meu nome e escreveu na lousa um recado para mim.



Ela perguntou quando teríamos aula novamente. Eu percebi que as crianças estão empolgadas com a oportunidade de participar do projeto e os professores também. Eu percebi nos professores o desejo em conhecer mais do projeto. Estou feliz em participar desse projeto e colaborar para formação de crianças e professores.

(Karolynne Barrozo - Fortaleza- Ce)

Fazendo Matemática

Não sei se é de conhecimento de todos, mas iniciei minhas aulas no contra turno no dia previsto, 2 de setembro, no início estava muito animada, pois a ideia de fazer com que as crianças gostem de matemática me deixou muito animada. Eu ia dar as aulas muito feliz, de todos os dias que eu ia para a escola apenas um era cansativo devido a uma turma em especial que era muito trabalhosa, mas quando essa turma prestava atenção em 50% da aula já era algo bem animador, fiquei indo para a escola durante 4 semanas! Foi um trabalho gratificante ver aqueles pequeninos se divertindo e ao mesmo tempo ficando intrigados com suas descobertas. Eu estava passando muito tempo na escola e dando aula para poucos alunos e como o diretor não aceitava fazer as atividades do projeto no turno das crianças, infelizmente tive que parar de dar as aulinhas nessa escola. Foi difícil ficar longe deles, realmente. Enquanto eu ainda estava no processo de contato com outra escola, fiquei bem desanimada, por que eu vinha em um ritmo muito bom com meus alunos e de repente tive que parar. Fiquei algumas semanas sem dar aula, mas sempre estava na outra escola conversando com a coordenadora sobre o projeto, e na semana antecedente ao II workshop fui para a escola aplicar os questionários, apliquei em algumas turmas, e devido ao feriado do dia do professor e do dia das crianças acabou não dando certo aplicar no inicio da semana. Então depois que voltei do workshop, retomei com os questionários. Mas realmente voltei a dar as aulas essa semana. Confesso que estava um pouco entediada sem as aulas! Mas depois que voltei me senti tão bem e feliz de poder fazer parte de um grupo de educadores que está tentando mudar a realidade de nosso país, e o que é mais recompensador são as crianças que são capazes de aprender tudo e nem elas mesmas sabem disso. Achei muito interessante o raciocínio de um aluno do 5º ano! Iniciei com a atividade da bailarina, inicialmente fiz o Pelé, jogador de futebol que estava treinando, ele chutava a bola e ela iria passando pelos números, ele iniciou do 0, chutou a bola e ela foi parar no 2, no chute seguinte foi para o  4, depois para o  6, a bola iria apenas nos números pares. Depois passei outro tipo de raciocínio com uma bailarina, para agradar as meninas. Em seguida retomei com outro jogador de futebol, o Neymar, mas ele estava treinando e o campo estava irregular e a bola estava quicando no campo e voltando, em seu primeiro chute a bola foi para o 4 e voltou para o 2, no segundo chute a bola foi para o quicou no 6 e voltou para o 4, no terceiro a bola quicou no 8  e voltou 6, quando eu ia fazer o próximo chute, um dos alunos falou: “Tiaaaaa, é igual o do Pelé!” Eu fiquei muito feliz. Mas tive que me conter, então perguntei o que todos os outros coleguinhas achavam, mas ninguém sabia. Então fomos fazendo os chutes do Neymar e ao final todos concordaram que era igual ao do Pelé. Depois de ter voltado a dar as aulas, já estou com o ânimo renovado, ver os pequenos fazendo matemática e tirando aos poucos o estigma de que Matemática é difícil ou chata já faz valer muito o meu trabalho. Fiquei triste de não ter tirado fotos do Pelé e do Neymar para vocês verem. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Superando desafios com o olhar no futuro

A aprendizagem é um processo que envolve emoção. A forma como nos enxergamos no mundo afeta na nossa forma de nos relacionar com ele, de interagir com outras pessoas e com nossa forma de compreender as coisas.
E nada melhor do que começar fazendo isso no primeiro dia de aula!
Antes de iniciar as atividades com as turminhas no 4º Ano, eu resolvi conversar com eles sobre o potencial que eles tem e na ocasião relatei minha história de vida.


Moro no mesmo bairro que eles e conheço a realidade que eles enfrentam e esse foi o elo que eu precisava para começar meu relacionamento com eles. Estudei por muito tempo em escola pública , inclusive a mesma escola que muitos dos irmãos deles estudam e, apesar das dificuldades, eu consegui ingressar em uma universidade pública. E eu conversei com eles que não são as dificuldades que enfrentamos que determinarão quem nós seremos, mas as escolhas que nós fazemos hoje. Porque quando você acredita no que faz, não é a desvalorização do curso, as dificuldades da Universidade Pública e as dificuldades que enfrentamos como estudante de escola pública pra ingressar numa Universidade Pública, que serão capazes de tirar o brilho do rosto. E esse diálogo fluiu de uma conversa para atitudes positivas no grupo.
Uma das crianças me relatou no inicio de uma das aulas o seguinte:

- “Vou logo dizendo que eu sou ruim em matemática!”
Eu respondi: -”Mas aqui nas aulas você pode construir as ideias com a gente, dizendo todos os seus palpites sem medo de errar. Aqui não importa se você erra ou acerta. O importante pra gente é que você participe.”
Ele respondeu com um ar de surpresa: - “Ah! Muito obrigado.” E depois deu um lindo sorriso. E esse aluno foi um dos que mais participou da aula.

Na hora do intervalo, as crianças vieram me procurar e comentar sobre seus sonhos para o futuro. Algumas me disseram que amam inglês e que gostam de matemática. E nossa conversa se estendeu para outros momentos. 

E tem sido gratificante ver as crianças acreditando mais em si mesmas e sem o medo de errar.


(Karolynne Barrozo - Fortaleza-CE)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

"Ao infinito...e além"

Cheguei há pouco de umas das escolas em que algumas turmas me fazem pensar em desistir não só do Círculo da Matemática, mas da profissão docente, quase todas as semanas. Crianças que não conseguem se concentrar em algo por mais de alguns segundos, que gritam em vez de falar, que ofendem-se mutuamente o tempo inteiro, que dizem que é chato ainda antes de você terminar a explicação...enfim, poderia seguir com essa descrição se não pensasse que vocês sabem exatamente do que estou falando. Poderia também fazer um post só sobre os motivos socioeconômicos, culturais, familiares e escolares os quais acredito que levam essas  crianças a apresentar esses comportamentos.

Porém, hoje estou aqui para contar como foi emocionante escutar o primeiro "Uaaau, sora!" e ver os primeiros rostinhos encantados em uma dessas turmas! O responsável por esse momento foi ele: nosso querido infinito! Pensar que as coisas podem não ter fim é um assunto que notoriamente intriga e envolve o ser humano, adultos e crianças, há gerações. Não foi diferente na aula de hoje.

O mais legal foi que o assunto surgiu totalmente deles. Estávamos fazendo um carro pular de três em três em uma linha de números, quando um aluno pediu para que o carro pulasse uma quantidade que não caberia na linha que já estava no quadro. Eles disseram para eu continuar fazendo os números em uma linha embaixo. Um aluno, preocupado, falou o seguinte: "Sora, quando você chegar no 100, você vai começar do 0 de novo né?!". Perguntei para os demais alunos o que eles achavam disso e eles disseram que não concordavam porque depois do 100, vem o 101, 0 102 e assim por diante. A conclusão da conversa foi que os números não tem fim assim como as pessoas, o universo e algumas outras coisas. Aqui vão algumas das brilhantes explicações que os levaram a chegar a essas conclusões:

"Sora, se você tem um filho que tem outro filho que tem outro filho...não vai acabar nunca! Eu acho que o mundo nunca vai acabar!"

"Se a gente for continuando com essa linha de números vamos sair da escola e depois do mundo e chegamos no universo! Uaaau, sora!"

"Sora, se você quisesse contar até o último número, você ficaria contando até ser velhinha e morrer e mesmo assim não iria conseguir!"

E foi nesse clima de entusiasmo que eu fiz a pergunta com a qual terminei a aula: "Agora sabemos que o maior número não existe, mas será que existe o menor?". Uma aluna olhou intrigada para o grande espaço que eu deixei antes do 0 e se perguntou baixinho: "Pois é, mas o que será que tem antes do 0?". Assim, pude terminar sorrindo (depois da sexta aula com essa turma) uma manhã difícil. Recompensador.

Daniela Fumegalli