Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.
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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Dinheiro sempre nos salva... ou quase sempre

 Em meio ao caos, me vi aperreado, eu estava falando sobre clima pra fortalecer a ideia de números negativos. Mas poucos alunos me davam a atenção e eu tentava de todas as formas trazê-los para a aula. Mas, eles estavam dispersos demais, então eu resolvi começar uma história... Pessoal meu pai me deu 1 real, mas com 1 real eu não consigo comprar quase nada, pedi minha mãe o dobro de 1 real, quanto minha mãe me deu  ? DOOOOOIS, o coro desafinado e alto soou naquele momento. ISSO, consegui a atenção deles e não vô perder. Continuei.... pessoal mas mesmo assim, eu ainda não consigo comprar o que eu quero, e pedi meu pai o triplo de 1 real , TREEEEES, gritaram mais um vez. Agora, eu joguei a responsabilidade para eles...e agora, eu vô pedi pra minha tia, quanto eu devo pedir para ela?( agora nao mais com 1 real agora com os dois que minha mãe me deu e depois com os 3 reais que meu pai me deu ) e assim uns falaram o triplo, outros o dobro, desse jeito a gente foi fazendo a nossa aranha de dinheiro. Só assim, no fim eu consegui comprar minha Ferrari, minha roupa de fim de ano, minha carta pro papai noel, minha casa, segundo os alunos claro. E acima de tudo tive a atenção de todos. Graças a Deus. 
Até a próxima.


domingo, 10 de novembro de 2013

Talvez a solução seja outra...

Esse caso pra mim ia passar desapercebido e talvez eu não contaria, mas eu achei muito importante contar depois que li o post do Flavio Comin. Eu tenho um aluno que nunca ficava dentro da minha sala e nunca queria ir para as aulas do circulo, ele é de longe o aluno mais problemático dentro da escola, todos os jugam pelo comportamento. Sempre briga tanto nas minhas aulas quanto nas aulas dos outros professores, causa a discórdia.
 Nessa semana, eu tive a ideia de convidá-lo para assistir uma aula do circulo com uma turminha de outra serie, meu medo era grande pois os alunos eram menores que ele. A atividade dessa semana era a do sanduíche e como eu disse em outro post no começo da semana: eles mesmo que estavam fazendo seus próprios cortes, sempre seguindo minhas orientações. Esse aluno ficou ate o fim da aula, participou bastante, e ao contrário de outras aulas ele me ajudou na coordenação da turma: pedindo silêncio, distribuindo folhas, tesouras e os lápis de cores. 
O que podemos perceber é que o voto de confiança dado a uma criança é valioso, ela se sente importante e é isso o que importa pra ela nessa fase da vida, se sentir importante, mesmo que realmente não seja, leve em consideração que muitas delas não tem total atenção em casa, que muitas vezes não sabem o que é uma palavra de carinho, não sabem o que é ser respeitado e por isso chegam na sala de aula maltratando colegas e professor. A evolução que essa criança esta tendo talvez seja a minha maior vitoria dentro do circulo. Mas, porque ele participou mais em um ambiente com pessoas que não convivem com ele diariamente? Seá que ele se sentiu mais seguro? Não sei.Só sei que eu tenho certeza que no fim eu irei vê-lo relatando sua participação no Circulo da Matemática no Brasil. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Aprendendo o que já se sabe.

Na semana passada comecei as aulas em três turminhas de uma unidade da Escola Bosque, localizada em uma outra ilha, diferente da qual trabalho diariamente. Como estava sozinho, pois não havia nesse dia professor de educação física e de artes, com os quais dividiria as turminhas, peguei os 24 alunos e tentei a atividade da bailarina.
Comecei fazendo a linha horizontal onde quem pulava de ponto em ponto era o Professor Tadeu, que começou a pular sempre para o lado direito, de várias formas diferentes, mas nunca voltava para a esquerda, ultrapassando o zero. Quando questionei sobre o que aconteceria quando o Professor Tadeu (o boneco) desse um salto passando do zero, para o lado esquerdo da reta, logo um aluno pulou e imediatamente disse: "O Sr. vai cair no nada Professor!", então voltei para o ponto de onde partiu o salto e novamente questionei onde ele cairia se desse um salto ainda maior para o lado esquerdo, ultrapassando o zero. Logo outro aluno respondeu, talvez copiando o primeiro: "Ele vai cair no nada Professor". Com essas duas sugestões propus a todos que observando a reta e os dois pontos antes do zero, aos quais chamaram de "nada", pensassem se existiriam dois "nadas" em pontos diferentes da reta. Todos concordaram que "nada" é só um e que não sabiam explicar como chamar os pontos onde o Professor Tadeu havia parado à esquerda do zero.
Com a dúvida instaurada, adotei a ideia apresentada no II Workshop do Círculo da Matemática do Brasil (me desculpem por não creditar essa ideia - puro esquecimento mesmo) e desenhei uma escada da borda inferior do quadro até a borda superior, colocando o zero no meio da escada. Novamente, comecei saltando para cima sem problemas e de várias formas que todos participaram com chutes e sugestões registradas no quadro, até o momento em que uma aluna questionou: "Professor porque o zero está no meio da escada e não lá embaixo?"
Em vez de mudar os números de lugar, perguntei: "E se descermos a escada até o primeiro degrau não numerado que está antes do zero?". O aluno que havia cogitado o "nada" na reta horizontal disse: "Professor agora eu não sei mais o que falar, porque se eu disser que vai para o nada, o Sr. vai descer ainda mais e perguntar se existem dois "nadas" diferentes, e agora?"
Como expus no Workshop, sempre procuro trabalhar o significado das palavras/frases que estão sendo ditas nos exercícios, atividades e em tudo o que é falado. Nesse momento, perguntei a todas as crianças se eles sabiam o que significava a palavra "primeiro", vários disseram: "é o que vem antes", "o que chega na frente", "é o número 1", em seguida perguntei o que seria "o primeiro degrau subindo a escada a partir do zero" e "o primeiro degrau descendo a escada a partir do zero", a sala ficou em silêncio e em seguida podiam se ouvir vários "hhhuuummm's" pensativos... O aluno que havia falado do "nada" disse: "Professor tem o 1 subindo e o 1 descendo". E vários começaram: "É mesmo, se o Sr. pular três pra cima, vai parar no 3 subindo, ou se pular três pra baixo, vai parar no 3 descendo".
Não me contive num sorriso que todos perceberam que haviam aprendido uma coisa nova que, de certa forma, já sabiam... 
O tempo da aula acabou, peguei o barco para voltar para a minha unidade e enquanto ouvia o barulho do motor e sentia a brisa do rio e o sol no rosto pensava em mil maneiras de perguntar para que eles descubram os números negativos. A aula seguinte foi show... aguardem.

sábado, 2 de novembro de 2013

Primeiras aulas

Olá a todos!

Bom como algumas pessoas no circulo eu iniciei o projeto com as turmas essa semana, e foi muito bom!
Apliquei o questionário e com o resto do tempo que sobrou iniciei com a bailarina mas com o tempo reduzido desisti e resolvi fazer a maquina de função ou como falei para eles a "maquina de transformar de número". Alguns mostraram interesse, já outros acharam só um meio de sair daquela sala de aula chata. Iniciei com o "segredo" da maquina sendo somar dois. As crianças não entenderam nada e continuavam a chutar, algumas disseram que o segredo era sair mais roupa, anotei todos os palpites mas nenhum chegava próximo, no final da aula elas conseguiram mas muitas já estavam bastante dispersas então fiquei um pouco preocupada, acho que com os dias essa dispersão vai diminuindo. No fim apesar de tudo essa aula foi bastante produtiva, fez algumas crianças que no inicio estavam bastante dispersas prestarem um pouco mais de atenção. Espero no fim conseguir que todos prestem atenção e que gostem um pouco mais da matemática.
Em outra turma a "maquina de transformar números" foi bem mais interessante! Uma menina tinha a "síndrome de Rebeca" então toda vez que eu fazia um segredo ela logo descobria. Ao termino da segunda maquina, ela disse "tia isso tá muito fácil, faça um mais difícil!". Nesse instante eu fiquei em duvida, fazer algo mais difícil ou continuar em algo mais fácil? (até porque a turma não entendia tão rápido como ela). Resolvi fazer algo nem tão fácil, nem tão difícil. Algumas crianças não estavam mais interessadas mas outras estavam realmente tentando descobrir! No fim elas conseguiram e como o Bob e a Ellen eu continuei mesmo com o "segredo" descoberto e assim terminei a aula. Para a minha surpresa, enquanto guardava meu material uma aluna que ao longo da aula ficou bem calada (participando só quando eu perguntava algo) me deu um grande abraço! Confesso que eu fiquei bastante surpresa mas mais ainda feliz! No fim eu vi na prática o que alguns já falavam sobre a felicidade quando isso acontece. Enfim como o texto já está imenso vou parar por aqui.
Obrigada a todos por lerem!

sábado, 26 de outubro de 2013

Morto ou vivo da matemática

Ontem me colocaram em uma sala sem quadro ou qualquer possibilidade de meio de escrita, então tive que improvisar. As crianças estavam muito agitadas então para extravasar eu decidi fazer uma brincadeira de morto ou vivo, que foi aliás uma sugestão de uma das meninas. Então para não passar em branco eu coloquei algumas regrinhas como cada um possuir um número e o número que eu chamasse deveria "morrer" e os outros continuarem "vivos". Para deixar um pouco mais difícil e divertido eu dizia números bem grandes para mais de um ter que abaixar. Eles se divertiram bastante. Acho que é importante saber improvisar nas horas que falta subsídios!

Ludmylla Boechat

Números menores que o zero

Ao longo desta semana, dando aulas para o círculo da matemática, percebi que quanto mais a criança se permite imaginar, mas fácil vem a ideia dos números negativos, que a possibilidade da existência de números negativos vem mais facilmente em turmas cuja média de idade é mais baixa em comparação à turmas cuja média de idade é mais alta.Isso porque, imaginar que existe um número menor do que zero é quase inconcebível para colaboradores do círculo que estão no quarto ano. Porém, a ideia surgiu mais naturalmente com alunos do segundo ano. Mesmo difícil, a introdução da ideia de existência de números menor que zero ainda é um dos meus assuntos preferidos (Junto à "qual o maior número de todos?" Mas isso fica pra outra história).

Estamos em um país tropical e falar em temperaturas negativas não tem ajudado muito."- O polo norte é muito frio e tem vários animais legais, e o mais legal de tudo é que lá tem neve! Aqui também tem, mas a neve vem em forma de pedra de gelo.". O granizo apareceu ao longo da semana pela região de Porto Alegre e a memória disso ainda é muito fresca. Porém, pergunte aos pequenos colaboradores do círculo da matemática sobre a temperatura que faz no Polo Norte e a resposta, geralmente, é "- Zero grau". A conversa não desenvolve muito para além disso quando o assunto é a temperatura.

Mudança de assunto, então: "- Quem compra pão em casa?". Várias mãozinhas se levantam.  "- E se você vai à padaria e falta dinheiro para completar o preço total do pão?". Uma menina esperta levanta a mão e diz em tom de brincadeira: "- Eu saio correndo com o pão, professora.". Todos riem muito, "- É mentira, professora, eu não faço isso não.", completa logo. A ideia de dívida surge, porém, os números negativos não. Se eu estou devendo eu tenho zero reais, e se eu não estou devendo e gastei todo meu dinheiro também tenho zero reais. A ideia de que pode existir um número que se chama um menos surge, porém, ele está definitivamente antes do zero. Fazemos uma escadinha para ordenar. Todos concordam que ele está abaixo do zero. Porém, transferir o número "um menos" da escada para a reta não pareceu natural. "Não rolou" diriam algumas professoras do círculo, incluindo eu. É, esses números "um menos", "dois menos", "três menos", ainda não rolaram.

É engraçado pensar que essa mesma turma já tem ideia que não existe o maior número de todos, porém, o menor número de todos ainda é o zero. Aguardo, ansiosamente, a consolidação de que números negativos estão ali, depois do zero, e vieram para ficar.