Antes de começar o círculo, e começando ao mesmo tempo, decidi ir ás compras com meus alunos. Perguntei-lhes o que queriam comprar, todos, repito: todos me bombardearam com nome de comidas. E depois com nomes de eletrônicos, um ou outro tipo apareciam de vez em quando, de acordo com que eu ia perguntando o que eles queriam comprar eu perguntava quanto custava aquele produto para eles, e em um consenso nós decidíamos o valor, aos poucos eu ia apresentando a metodologia do circulo, como: ouvir o colega, ser paciente e esperar sua vez. Então, eu fiz minhas cédulas no quadro, entreguei quatro pedaços de papel para cada aluno e pedi para que eles escolhessem um dos valores que eu tinha desenhado para cada pedaço. Depois de lista feita e cédulas prontas,eu agora era o vendedor da história e perguntava de produto em produto quem queria o comprar. O interessante é que eu percebi que as crianças começaram a comparar valores, e eu puxei isso delas, quando elas vinham com valores menores eu dizia que não dava pra comprar, outras vinham e já falavam: " Tio, eu quero meu troco." e assim as aulas aconteceram. No fim, elas algumas ficaram com dinheiro, e outras nem chegaram no ultimo produto, sentei juntos com elas e falei sobre economizar e ter uma visão de necessidade futura, que nós não podíamos comprar só porque tal coisa é boa, porque mais na frente a gente poderia precisar do dinheiro e não teríamos, como foi no caso de um aluno que queria comprar uma " casa " e não tinha dinheiro suficiente. Depois disso, reforcei os "princípios" do círculo e encerrei minha aula. A aceitação dos alunos foi ótima e a aula passou rápida demais.
Abraços, até mais.
Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.
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quarta-feira, 9 de abril de 2014
sábado, 7 de dezembro de 2013
Mais um dia...
Eu cheguei em uma das salas do 3 ano sem o conteúdo feito. Apenas sabia que ia trabalhar com mais enfoque na atividade que eles escolhessem e a atividade que essa turma escolheu foi a da bailarina. Bom, "então vamos trabalhar com pulos maiores !" , eu disse à turma. E assim eu perguntei o numero de saltos que a bailarina devia fazer e a outro eu perguntei quantas vezes ela devia fazer aquilo. Assim, funcionou todos os números. Dessa forma, a aula foi rolando até alguns deles perceberem que o total de "pulinhos" que ela fazia era a multiplicação dos números, ai sempre quando eles decidiam o numero de pulos e quantas vezes ia fazer aquilo ele multiplicavam e achavam a resposta. Mas, então eu disse que dessa vez a bailarina não ia partir mais do zero e sim de outro numero. Então, eles já começaram a pensar mais. E ficaram com a missão de encontrar também uma maneira mais rápida da bailarina pular. Também propus de fazer varias saltos de formas diferentes ao mesmo tempo e saber aonde ela ia parar de dançar. Bom, foi muito legal e as crianças já estão mais soltas e confortáveis dentro da sala. Sabemos que não são todas, pois ainda existem aqueles que não querem participar e aqueles que encontram outra diversão no momento da aulas. Mas, estou chegando ao fim com um sentimento de missão cumprida.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Apresentação do Projeto na Semana Universitária da UECE
Olá pessoal.
Gostaria de registrar a apresentação de um resumo na Semana Universitária da Universidade Estadual do Ceará!
Fiz o resumo junto com os educadores de Fortaleza: Italo, Karol, Priscila Belo e Lucas.O Flávio também nos ajudou.
A apresentação foi de 15 minutos, incluindo o tempo para as perguntas.
Falei dos pontos principais do projeto.
O que me chamou mais a atenção foi uma pergunta: "Vocês já pensaram em utilizar materiais manipuláveis?"
Eu falei que o diferencial do projeto era esse, de fazer uma aula interessante justamente usando apenas o pincel e o apagador, mas que alguns de nós já havia utilizado algum material."
Os expectadores acharam o projeto bem interessante.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Números entre números...
Eu continuo fazendo um misto entre alunos dos círculos, iniciei as aulas de hoje falando sobre o antecessor e o sucessor. Um aluno dizia um numero e o resto tinha que dizer o que vinha antes e o que vinha depois. Assim foram vários exemplos, ate que eu perguntei . Mas, entre eles o que existe ? "Nada","o zero", "o numero tal..." ate que eu perguntei e os números com virgulas ? Parados, espantosos os alunos ficaram de boca aberta quando um aluno disse "27,1- 27,2 - 27,3...." pronto... e ai comecei minha aula. Eles adoraram essa historia dos numero entre números. Todos queriam participar falando e escrevendo não pude negar, todos foram a lousa e alguns pediram pra escrever, eu deixei e pedi que todos fizessem o mesmo, dai quando fossem terminando, cada um ia ate a lousa e fazia um exemplo. O que me chamou a atenção em algumas turmas é que elas tiveram mais facilidade em compreender a ideia quando falávamos em dinheiro e isso facilitou muito, tanto pra mim quanto pra eles. Pra quem tiver com dificuldades em começar o assunto, eu pelo menos comecei assim : " Fulaninho, tu tem 1 real, se tua mãe te dá mais 10 centavos tu fica com quanto ? E se agora ela te dá mais 5 centavos ?..." Pra mim, essa foi a melhor solução para que eles entendessem essa ideia de números entre os números.
Ate a próxima.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Dinheiro sempre nos salva... ou quase sempre
Em meio ao caos, me vi aperreado, eu estava falando sobre clima pra fortalecer a ideia de números negativos. Mas poucos alunos me davam a atenção e eu tentava de todas as formas trazê-los para a aula. Mas, eles estavam dispersos demais, então eu resolvi começar uma história... Pessoal meu pai me deu 1 real, mas com 1 real eu não consigo comprar quase nada, pedi minha mãe o dobro de 1 real, quanto minha mãe me deu ? DOOOOOIS, o coro desafinado e alto soou naquele momento. ISSO, consegui a atenção deles e não vô perder. Continuei.... pessoal mas mesmo assim, eu ainda não consigo comprar o que eu quero, e pedi meu pai o triplo de 1 real , TREEEEES, gritaram mais um vez. Agora, eu joguei a responsabilidade para eles...e agora, eu vô pedi pra minha tia, quanto eu devo pedir para ela?( agora nao mais com 1 real agora com os dois que minha mãe me deu e depois com os 3 reais que meu pai me deu ) e assim uns falaram o triplo, outros o dobro, desse jeito a gente foi fazendo a nossa aranha de dinheiro. Só assim, no fim eu consegui comprar minha Ferrari, minha roupa de fim de ano, minha carta pro papai noel, minha casa, segundo os alunos claro. E acima de tudo tive a atenção de todos. Graças a Deus.
Até a próxima.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
E se meus colegas da sala fossem outros ?
Hoje, a aula foi muuuito produtiva, eu arrisquei e tive resultados ótimos, hoje eu resolvi sair da sala de informatica e me junta a todos os alunos do tempo integral, resolvi montar as mesas ali mesmo perto de todos, mas e o quadro que ta ai na foto? ELE NÃO FOI UTILIZADO. Calma, hoje o meu quadro foi uma simples folha de papel ofício. Resolvi juntar os alunos de 4° ano, fiz um misto de alunos de círculos, horários e turmas diferentes pra ver no que dava. A folha ? Bom, cada aluno recebeu um giz de cera todos com cores diferentes, e uma unica folha foi passando pra quem quisesse dividir o sanduíche, desenhasse e mostrasse pros seus colegas, a cada sanduíche desenhado todos opinavam se dava pra todos que comer ou não. Houveram sim, os que eraram e os colegas calmamente foram dizendo que estava errado. Quando ninguém mais queria fazer um sanduíche na nossa "lousa" , eu dei para cada um deles uma folha e ai novamente utilizei a dica da Vanessa Rodrigues de São Paulo, eles construíram seus próprios sanduíches e puderam ver as diferenças e as igualdade entre os pedaços. A aula ? Todos que estava ali, se comportaram e participaram, essa ideia de fazer um misto com turminhas esta dando certo. Não sei se é o certo. Mas, estou tendo êxito em todas as salas aplicada e com os alunos também. No fim eu percebi que tinha mais de 10 alunos,e que 3 deles sempre se danavam e dessa vez onde eles foram parar ? Nossa, eles ja estavam guardando os papeis pra levar pra casa e mostrar pra mãe deles o sanduíche e me ajudando a voltar as mesas pros lugares.
domingo, 10 de novembro de 2013
Talvez a solução seja outra...
Esse caso pra mim ia passar desapercebido e talvez eu não contaria, mas eu achei muito importante contar depois que li o post do Flavio Comin. Eu tenho um aluno que nunca ficava dentro da minha sala e nunca queria ir para as aulas do circulo, ele é de longe o aluno mais problemático dentro da escola, todos os jugam pelo comportamento. Sempre briga tanto nas minhas aulas quanto nas aulas dos outros professores, causa a discórdia.
Nessa semana, eu tive a ideia de convidá-lo para assistir uma aula do circulo com uma turminha de outra serie, meu medo era grande pois os alunos eram menores que ele. A atividade dessa semana era a do sanduíche e como eu disse em outro post no começo da semana: eles mesmo que estavam fazendo seus próprios cortes, sempre seguindo minhas orientações. Esse aluno ficou ate o fim da aula, participou bastante, e ao contrário de outras aulas ele me ajudou na coordenação da turma: pedindo silêncio, distribuindo folhas, tesouras e os lápis de cores.
O que podemos perceber é que o voto de confiança dado a uma criança é valioso, ela se sente importante e é isso o que importa pra ela nessa fase da vida, se sentir importante, mesmo que realmente não seja, leve em consideração que muitas delas não tem total atenção em casa, que muitas vezes não sabem o que é uma palavra de carinho, não sabem o que é ser respeitado e por isso chegam na sala de aula maltratando colegas e professor. A evolução que essa criança esta tendo talvez seja a minha maior vitoria dentro do circulo. Mas, porque ele participou mais em um ambiente com pessoas que não convivem com ele diariamente? Seá que ele se sentiu mais seguro? Não sei.Só sei que eu tenho certeza que no fim eu irei vê-lo relatando sua participação no Circulo da Matemática no Brasil.
Nessa semana, eu tive a ideia de convidá-lo para assistir uma aula do circulo com uma turminha de outra serie, meu medo era grande pois os alunos eram menores que ele. A atividade dessa semana era a do sanduíche e como eu disse em outro post no começo da semana: eles mesmo que estavam fazendo seus próprios cortes, sempre seguindo minhas orientações. Esse aluno ficou ate o fim da aula, participou bastante, e ao contrário de outras aulas ele me ajudou na coordenação da turma: pedindo silêncio, distribuindo folhas, tesouras e os lápis de cores.
O que podemos perceber é que o voto de confiança dado a uma criança é valioso, ela se sente importante e é isso o que importa pra ela nessa fase da vida, se sentir importante, mesmo que realmente não seja, leve em consideração que muitas delas não tem total atenção em casa, que muitas vezes não sabem o que é uma palavra de carinho, não sabem o que é ser respeitado e por isso chegam na sala de aula maltratando colegas e professor. A evolução que essa criança esta tendo talvez seja a minha maior vitoria dentro do circulo. Mas, porque ele participou mais em um ambiente com pessoas que não convivem com ele diariamente? Seá que ele se sentiu mais seguro? Não sei.Só sei que eu tenho certeza que no fim eu irei vê-lo relatando sua participação no Circulo da Matemática no Brasil.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Baseado nas dicas da Professora Vanessa Rodrigues , essa semana eu estou aplicando a atividade do sanduíche os alunos participaram muito da aula, cortaram seus próprios pedaços, de 3 formas diferentes em 3 sanduíches e os pintaram de cores diferentes. No fim, pudemos analisar as formas geométricas alem da relação entre os pedaços , a aula foi excelente e ainda temos algumas turmas pra trabalhar da mesma forma, espero obter êxito. Por mais que a atividade tenha sido realizado com material concreto, essa foi a melhor forma de repassar o conteúdo. Uma vez que eu já havia tentado o mesmo conteúdo sem o material concreto. Foto com a turma do 3°ano.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Máquina de Funções
Estou com sentimento de missão cumprida ou em caminhamento, hoje alguns dos alunos do 3° ano pediram pra criar suas próprias maquinas de função. Organizadamente, eu deixei que cada um fosse fazendo, assim os 6 fizeram. Por mais simples que fossem eles se sentiam maravilhados quando descobriam o segredo do colega.Nessa aula uma das minhas alunas, falou que gostava de mim porque quando ela errava eu voltava e fazia ela entender e deu o exemplo da máquina de funções, que ela só veio compreender na 3º aula. E ela começou a me comparar com outras professoras e todos os alunos concordavam com ela. Então, eu parei a aula e conversei com eles e disse-os que cada professor tinha seu método de ensinar e eles sempre aprendiam um pouco de cada um. A aula foi super produtiva graças a Deus.Até a próxima.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
II Workshop
A caminho do II
Workshop de formação, nós, educadores de Fortaleza estávamos conversando no
avião e vimos que muitas das nossas dificuldades eram iguais, e outras
diferentes. Aos poucos, vimos que dicas foram importantes para ajudar quem
ainda não havia começado. Então ficamos intrigados em saber como foi nas outras
regiões, que dificuldades encontraram, quais sugestões e dicas eles teriam para
nós! As expectativas eram muitas!
No primeiro dia do II Workshop, pudemos perceber que não
estávamos sozinhos e que muitas dificuldades que tivemos os nossos colegas de
outros estados também tiveram. As sugestões do Bob e Ellen foram muito
importantes. Os relatos dos educadores foi muito rico, ouvir de outros professores
que algumas de suas aulas eram conturbadas por causa da inquietação dos alunos
foi importante para vermos que sempre haverá alguma turma assim.
Umas dos pontos mais importantes foi nossa reflexão sobre
nós mesmos além de ouvir críticas, elogios e sugestões dos colegas, pois erros
que passaram despercebidos para nós eram notados pelos outros educadores e foi
um momento de construção e aprendizado.
Nas avaliações ficamos muito intrigados com algumas
questões “ambíguas” e nos perguntamos o porquê delas! Achamos interessante
levar em consideração a maneira que as crianças interpretariam a avaliação,
podendo haver mais de uma resposta correta. Usualmente as escolas não aplicam
questões nesse estilo, e quando a questão tem duplo sentido, a coordenação ou
aceita apenas uma resposta correta ou anula a questão.
Estamos com uma grande expectativa em relação à avaliação
dos alunos da UFRGS, pois sabemos a importância de ter uma avaliação individual
em relação ao método “The Math Circle”, pois às vezes temos pequenos vícios que
não percebemos, erros simples que cometemos e alguém de outra área poderá nos
ajudar muito. Acreditamos que será uma troca mútua, iremos ajudá-los em sua
formação e vice-versa.
Relato escrito na volta para casa.
Carla Vital e italo Lucas
Carla Vital e italo Lucas
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Mãe de uma aluna...
Olá queridos amigos, lembrei de uma situação bastante gratificante pra mim em que a mãe de uma das alunas chegou pra mim e falou o seguinte : " Olá professor, por favor, tem como você ensinar a dividir pra minha filha ? Porque ela tem bastante interesse na sua aula e queria que ela gostasse tanto assim de dividir e ela não sabe de nada!" Eu fiquei sem saber o que falar. Mas, prontamente disse que ia fazer o possível para atende-la. Gostei muito em ter percebido a confiança em que a mãe teve. E espero acima de tudo motivar a filha dela dedicar-se não apenas em aprender a dividir,mas, em aprender outras conteúdos também.
Até mais,
Italo Lucas :)
Até mais,
Italo Lucas :)
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Inspiração
Navegando na internet li as seguintes palavras que me chamaram a atenção de um escritor que eu até agora não ouvi falar e que gostaria de compartilhar, foram as seguintes: "O povo tem fome de saber e me agradece o pequeno pedaço de pão espiritual que com ele honestamente partilho.” (HEINE, 1991:19).
Quero desejar a nós educadores e principalmente aos do circulo da matemática do Brasil a paciência, o amor e uma paz de espirito imensurável para que dentro da sala de aula possamos transmitir para os nossos "pequenos" uma paz e confiança. Onde possamos ser exemplos de profissionais e acima de tudo exemplos de homens e mulheres capazes SIM de fazer uma educação digna, mas não estou usando a palavra "digna" apenas para por como adjetivo para a " educação", quando falo "DIGNA" refiro-me a fazermos uma educação com seres capazes de pensar e não produtos para o mercado. // Italo Lucas //
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