Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

As diferentes formas de ser Bailarina....










 Hoje nas turmas do 1° e 2° ano, a bailarina se transformou. Virou o Homem Aranha, Ben 10 e até o Curupira. A interpretação feita pelas crianças é incrível, que podemos começar a escrever livrinhos de contos infantis. 
 E a maquina de funções que foi adaptada para uma maquina de açaí e trabalhou bastante já as crianças não dispensaram os números grandes em algumas o número favorito começou de 4.000 a 500.000 mil.......




terça-feira, 5 de novembro de 2013

Aprendendo o que já se sabe.

Na semana passada comecei as aulas em três turminhas de uma unidade da Escola Bosque, localizada em uma outra ilha, diferente da qual trabalho diariamente. Como estava sozinho, pois não havia nesse dia professor de educação física e de artes, com os quais dividiria as turminhas, peguei os 24 alunos e tentei a atividade da bailarina.
Comecei fazendo a linha horizontal onde quem pulava de ponto em ponto era o Professor Tadeu, que começou a pular sempre para o lado direito, de várias formas diferentes, mas nunca voltava para a esquerda, ultrapassando o zero. Quando questionei sobre o que aconteceria quando o Professor Tadeu (o boneco) desse um salto passando do zero, para o lado esquerdo da reta, logo um aluno pulou e imediatamente disse: "O Sr. vai cair no nada Professor!", então voltei para o ponto de onde partiu o salto e novamente questionei onde ele cairia se desse um salto ainda maior para o lado esquerdo, ultrapassando o zero. Logo outro aluno respondeu, talvez copiando o primeiro: "Ele vai cair no nada Professor". Com essas duas sugestões propus a todos que observando a reta e os dois pontos antes do zero, aos quais chamaram de "nada", pensassem se existiriam dois "nadas" em pontos diferentes da reta. Todos concordaram que "nada" é só um e que não sabiam explicar como chamar os pontos onde o Professor Tadeu havia parado à esquerda do zero.
Com a dúvida instaurada, adotei a ideia apresentada no II Workshop do Círculo da Matemática do Brasil (me desculpem por não creditar essa ideia - puro esquecimento mesmo) e desenhei uma escada da borda inferior do quadro até a borda superior, colocando o zero no meio da escada. Novamente, comecei saltando para cima sem problemas e de várias formas que todos participaram com chutes e sugestões registradas no quadro, até o momento em que uma aluna questionou: "Professor porque o zero está no meio da escada e não lá embaixo?"
Em vez de mudar os números de lugar, perguntei: "E se descermos a escada até o primeiro degrau não numerado que está antes do zero?". O aluno que havia cogitado o "nada" na reta horizontal disse: "Professor agora eu não sei mais o que falar, porque se eu disser que vai para o nada, o Sr. vai descer ainda mais e perguntar se existem dois "nadas" diferentes, e agora?"
Como expus no Workshop, sempre procuro trabalhar o significado das palavras/frases que estão sendo ditas nos exercícios, atividades e em tudo o que é falado. Nesse momento, perguntei a todas as crianças se eles sabiam o que significava a palavra "primeiro", vários disseram: "é o que vem antes", "o que chega na frente", "é o número 1", em seguida perguntei o que seria "o primeiro degrau subindo a escada a partir do zero" e "o primeiro degrau descendo a escada a partir do zero", a sala ficou em silêncio e em seguida podiam se ouvir vários "hhhuuummm's" pensativos... O aluno que havia falado do "nada" disse: "Professor tem o 1 subindo e o 1 descendo". E vários começaram: "É mesmo, se o Sr. pular três pra cima, vai parar no 3 subindo, ou se pular três pra baixo, vai parar no 3 descendo".
Não me contive num sorriso que todos perceberam que haviam aprendido uma coisa nova que, de certa forma, já sabiam... 
O tempo da aula acabou, peguei o barco para voltar para a minha unidade e enquanto ouvia o barulho do motor e sentia a brisa do rio e o sol no rosto pensava em mil maneiras de perguntar para que eles descubram os números negativos. A aula seguinte foi show... aguardem.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Fazendo Matemática

Não sei se é de conhecimento de todos, mas iniciei minhas aulas no contra turno no dia previsto, 2 de setembro, no início estava muito animada, pois a ideia de fazer com que as crianças gostem de matemática me deixou muito animada. Eu ia dar as aulas muito feliz, de todos os dias que eu ia para a escola apenas um era cansativo devido a uma turma em especial que era muito trabalhosa, mas quando essa turma prestava atenção em 50% da aula já era algo bem animador, fiquei indo para a escola durante 4 semanas! Foi um trabalho gratificante ver aqueles pequeninos se divertindo e ao mesmo tempo ficando intrigados com suas descobertas. Eu estava passando muito tempo na escola e dando aula para poucos alunos e como o diretor não aceitava fazer as atividades do projeto no turno das crianças, infelizmente tive que parar de dar as aulinhas nessa escola. Foi difícil ficar longe deles, realmente. Enquanto eu ainda estava no processo de contato com outra escola, fiquei bem desanimada, por que eu vinha em um ritmo muito bom com meus alunos e de repente tive que parar. Fiquei algumas semanas sem dar aula, mas sempre estava na outra escola conversando com a coordenadora sobre o projeto, e na semana antecedente ao II workshop fui para a escola aplicar os questionários, apliquei em algumas turmas, e devido ao feriado do dia do professor e do dia das crianças acabou não dando certo aplicar no inicio da semana. Então depois que voltei do workshop, retomei com os questionários. Mas realmente voltei a dar as aulas essa semana. Confesso que estava um pouco entediada sem as aulas! Mas depois que voltei me senti tão bem e feliz de poder fazer parte de um grupo de educadores que está tentando mudar a realidade de nosso país, e o que é mais recompensador são as crianças que são capazes de aprender tudo e nem elas mesmas sabem disso. Achei muito interessante o raciocínio de um aluno do 5º ano! Iniciei com a atividade da bailarina, inicialmente fiz o Pelé, jogador de futebol que estava treinando, ele chutava a bola e ela iria passando pelos números, ele iniciou do 0, chutou a bola e ela foi parar no 2, no chute seguinte foi para o  4, depois para o  6, a bola iria apenas nos números pares. Depois passei outro tipo de raciocínio com uma bailarina, para agradar as meninas. Em seguida retomei com outro jogador de futebol, o Neymar, mas ele estava treinando e o campo estava irregular e a bola estava quicando no campo e voltando, em seu primeiro chute a bola foi para o 4 e voltou para o 2, no segundo chute a bola foi para o quicou no 6 e voltou para o 4, no terceiro a bola quicou no 8  e voltou 6, quando eu ia fazer o próximo chute, um dos alunos falou: “Tiaaaaa, é igual o do Pelé!” Eu fiquei muito feliz. Mas tive que me conter, então perguntei o que todos os outros coleguinhas achavam, mas ninguém sabia. Então fomos fazendo os chutes do Neymar e ao final todos concordaram que era igual ao do Pelé. Depois de ter voltado a dar as aulas, já estou com o ânimo renovado, ver os pequenos fazendo matemática e tirando aos poucos o estigma de que Matemática é difícil ou chata já faz valer muito o meu trabalho. Fiquei triste de não ter tirado fotos do Pelé e do Neymar para vocês verem. 

sábado, 26 de outubro de 2013

Números menores que o zero

Ao longo desta semana, dando aulas para o círculo da matemática, percebi que quanto mais a criança se permite imaginar, mas fácil vem a ideia dos números negativos, que a possibilidade da existência de números negativos vem mais facilmente em turmas cuja média de idade é mais baixa em comparação à turmas cuja média de idade é mais alta.Isso porque, imaginar que existe um número menor do que zero é quase inconcebível para colaboradores do círculo que estão no quarto ano. Porém, a ideia surgiu mais naturalmente com alunos do segundo ano. Mesmo difícil, a introdução da ideia de existência de números menor que zero ainda é um dos meus assuntos preferidos (Junto à "qual o maior número de todos?" Mas isso fica pra outra história).

Estamos em um país tropical e falar em temperaturas negativas não tem ajudado muito."- O polo norte é muito frio e tem vários animais legais, e o mais legal de tudo é que lá tem neve! Aqui também tem, mas a neve vem em forma de pedra de gelo.". O granizo apareceu ao longo da semana pela região de Porto Alegre e a memória disso ainda é muito fresca. Porém, pergunte aos pequenos colaboradores do círculo da matemática sobre a temperatura que faz no Polo Norte e a resposta, geralmente, é "- Zero grau". A conversa não desenvolve muito para além disso quando o assunto é a temperatura.

Mudança de assunto, então: "- Quem compra pão em casa?". Várias mãozinhas se levantam.  "- E se você vai à padaria e falta dinheiro para completar o preço total do pão?". Uma menina esperta levanta a mão e diz em tom de brincadeira: "- Eu saio correndo com o pão, professora.". Todos riem muito, "- É mentira, professora, eu não faço isso não.", completa logo. A ideia de dívida surge, porém, os números negativos não. Se eu estou devendo eu tenho zero reais, e se eu não estou devendo e gastei todo meu dinheiro também tenho zero reais. A ideia de que pode existir um número que se chama um menos surge, porém, ele está definitivamente antes do zero. Fazemos uma escadinha para ordenar. Todos concordam que ele está abaixo do zero. Porém, transferir o número "um menos" da escada para a reta não pareceu natural. "Não rolou" diriam algumas professoras do círculo, incluindo eu. É, esses números "um menos", "dois menos", "três menos", ainda não rolaram.

É engraçado pensar que essa mesma turma já tem ideia que não existe o maior número de todos, porém, o menor número de todos ainda é o zero. Aguardo, ansiosamente, a consolidação de que números negativos estão ali, depois do zero, e vieram para ficar.