Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.
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domingo, 10 de novembro de 2013

Resumo da semana

Antes de falar sobre as minhas aulas, reservo algumas linhas para falar sobre outra situação que me ocorreu na semana. A Semana Universitária tomou conta de mim e eu devia ministrar oficinas de variados temas. É impressionante como o Círculo fez uma mudança nas minhas atitudes. Os alunos que recebi eram do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio. Antigamente situações como essa me deixavam muito nervosa, mas dessa vez foi diferente. Eu estava mais confiante. Outro fato que eu percebi foi que não me contentava em somente dar o conteúdo e mandar eles construírem, eu sentia o desejo de fazer com que eles participassem e me dissessem o que sabiam do assunto, mesmo que estivessem errados. Mais do que mudar as crianças, o Círculo tem o papel de mudar o professor também.
Bom, voltando às aulas. Essa semana foi desafiadora. O dia que mais marcou foi a segunda-feira. Essas turmas tinham ficado 3 semanas sem aula em decorrência do dia do professor, do II Workshop e do dia do servidor público, ou seja, eles perderam muito. A primeira turma era a turma com o meu aluno "Rebeca". Como eu sabia que ele dominaria a turma, o coloquei para ser meu ajudante e lhe dei um giz. Ele disse que o irmão dele que estava no 4º ano disse que 9+9 era 81. Claro, o irmão é mais velho, ele tomou como sendo verdade. E eu perguntei aos outros se era isso mesmo e todos discordaram. Então fomos conferir. Desenhei o bonequinho na forca, porque eles sempre me pedem forcam e eles completaram as 9 pernas em duas forcas. Contamos então e deu 18. Daí fomos ver com mais pernas e mais forcas até chegar em 9 forcas com 9 pernas. Uma menina disse que pra somar tudo tinha que somar 27 três vezes e fizemos isso com pontos explosivos. No final, o meu aluno "Rebeca" disse: "meu irmão errou porque ele confundiu mais com vezes". No final da aula quando pedi que eles se retirassem, eles disseram: "Mas já? Não, pode pegar o giz e continuar a aula". 
O restante das turmas desse dia foi mais difícil o andamento. Coloquei o Mário para subir e descer a escada. Foi um pouco difícil lembrar os números negativos, mas conseguimos. Em uma das turmas usar o Mário não deu certo e então eu coloquei a bailarina mesmo. À tarde larguei o Mário e usei só a bailarina nas minhas turmas de 2º ano. Na segunda metade da tarde tinha duas turminhas de 3º ano. Na primeira turma eles pediram divisão e então fizemos a divisão usando a bailarina. Pedi um número e eles escolheram 13. Então dividimos o 13 e sempre sobrava resto. Então soltei o desafio de achar um número que dividia 13 sem deixar resto. Eles acharam o um, mas não conseguiram acho outro. Espero continuar com a ideia amanhã. Na segunda turma foi um caos. Eles não colaboraram em nada, nada do que eu tentei funcionou. Parei tudo e conversei com eles. Disse que não dava para continuar desse jeito, que o comportamento deles não deixava com que a gente chegasse a algum lugar e que eu não queria ver eles assim na próxima aula. Liberei todos para voltar à sala e fui conversar com a professora deles. Ela prometeu que ia conversar com eles também; espero que funcione. 
O restante dos dias foi mais tranquilo. Retornei à bailarina em algumas turmas. Em outras eu usei umas das ideias que li de uma das colegas, que eu não lembro o nome(desculpem-me por não lembrar): desenhei várias bolinhas no quadro, pedi que eles contassem e perguntei de que outra forma além de contar de uma em uma eles poderiam contar. As respostas foram variadas. Na maioria das turmas a ideia foi de contar as fileiras e quantas bolinhas tinha em cada, depois somar tudo. Em outras pediram para fazer grupos de 10. Tiveram também as turmas que não conseguiram contar as bolinhas. Ah e por incrível que pareça, a minha turma que tem um menino que sofre bullying e onde também é difícil a concentração participou muito! Todos foram ao quadro, todos colaboraram, eu fiquei muito feliz, pois não é usual. Infelizmente, porém, ainda há crianças que não se dão bem, nessa semana eles tentaram se chutar, duas meninas brigaram de não se olharem, tentei contornar a situação mudando as crianças de lugar, mas não funcionou como esperado.
Espero que nessa semana tenhamos mais progressos. Vou tentar usar na minha turma que fez bagunça o recurso de lápis e papel, como alguns fazem com as turmas de 1º ano. Tomara que dê certo.

Até mais!
Jessica de Abreu Barbosa

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

SITUAÇÃO COMPLICADA!!!

Boa tarde amigos....


Hoje, fiquei muito surpresa com uma situação.....

Quando estavamos começando nossa aula das 11h às 12h, alguns alunos estavam do lado de fora da sala... pulando do murinho (parapeito da janela) ao outro lado do corredor para conseguirem se pendurar no "parapeito" dos vitrôs... ai falei... "Vamos.. vamos.. gente... pra sala...pode parar de pula.. pra dentro.."

Uma aluna, que na verdade nunca tinha reparado nela antes (não é da minha turma), resmungou alguma coisa e no final disse VACA...falei.." o que você falou?".. Ela.. "nada...(silêncio).. VACA"...

(vou abrir áspas para tentar expressar o que senti na hora)" Mano... que isso... me xingando...não acredito...que louca... mano.. "----indignação total...

Ai falei.. "Maria (nome fictício) pega suas coisas agora e vamos descer..você não vai participar hoje"...ela disse eu não.. (pensei....que raiva...pqp...) ...ai ela foi pelo corredor gritando VACA...VACA...VACA.....falei:"não tem problema, vou falar com a coordenadora agora"

Assim que desci para falar com a professora dela.. ela aparece com a maior cara de santa e fala bem baixinho "desculpa professora"... falei: "não"...ela falou novamente.. ai perguntei " alguma vez eu te ofendi ou desrespeitei?" ela ficou muda.... aguardei a professora dela e contei o que aconteceu... Ai vem a parte triste.. a professora disse: "Maria.. de novo.. vou ligar pro abrigo e falar que você não pode ficar aqui até as 12h.."

Voltei pra sala pensando... mano...abrigo..tipo orfanato? Uma outra aluninha foi atrás de mim (só pra ver o que aconteceu) ai perguntei, fulana, por que a Maria é assim? O que acontece? Ela responde: "não sei professora, sei que ela é muito nervosa e xinga todo mundo"... mas onde ela mora?..."mora no orfanato"...

Admito.. apertou meu coração.. mas não voltei atrás.. ai minutos depois ela volta, mais calma e pede desculpas...olhei pra ela e disse: "eu desculpo, mas que isso não aconteça novamente, ok?.... vem cá e me dá um abraço"...

Minha turma ficou olhando .. olhando... contei o que aconteceu.. e disse que a postura dela, AGORA, em assumir e reconhecer o erro foi muito honrosa.. e que lá, todos nos respeitamos uns aos outros...então ela foi pra turma dela...

Nunca na minha vida imaginei que passaria por isso.... dos dois lados...um de ser xingada dessa forma ... e outra de vivênciar uma realidade tão triste....

bom fim de semana pessoal...

bjs
Jana

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A escola que é o terror



O círculo da matemática é uma iniciativa a qual tenho orgulho de participar. Porém, percebo que as crianças que atendemos possuem diversas deficiências que afetam não somente o aprendizado da matemática mas o desenvolvimento cognitivo em geral. Tais deficiências vão além do que as escolas estão geralmente preparadas para atender, e sinto que os 50 minutos por semana que passo com eles é insuficiente para ajudar as crianças da maneira como elas merecem.

Semana passada comecei a dar aulas em uma escola que, pra mim, é o terror. As crianças dessa escola dão mais trabalho do que eu esperava. Elas são violentas, agressivas e descontroladas. Houve três brigas de crianças se atracando em uma única aula. Em todas as outras aulas dessa escola houve pelo menos uma briga física. Nessa sala das três brigas, um dos alunos estourou uma bombinha dentro de sala aula, ao que imediatamente todos os demais alunos se jogaram no chão gritando que era tiro. Honestamente, não tenho mais vontade de voltar a esta escola, tampouco de dar aulas pra esses alunos.

Fico triste porque consigo perceber que a violência faz parte da forma como essas crianças aprenderam a se relacionar e é o meio de comunicação que elas acreditam ser eficiente e que está disponível para elas. Os alunos repreendem uns aos outros, e reproduzem a opressão que vivenciam no dia a dia quando estão em sala de aula. As crianças têm sérios problemas de autoestima, o que acarreta em falta de autoconfiança e tem impacto direto na capacidade de autonomia que elas possuem. Isso tudo se traduz em falta de iniciativa e proatividade por parte delas em tudo que elas fazem na vida.

Eu vi o futuro do Brasil  nesta escola, e ele não é bonito.