Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013


O Círculo da Matemática e o encontro com o novo


Ontem vivenciei uma situação interessante...Enquanto eu andava pelos corredores da minha escola, cruzei com uma aluna minha de uma das turmas do Círculo da Matemática. Casualmente, eu estava indo buscar uma turminha do Círculo e estava com a lista de chamada nas mãos. Foi quando a menina, muito sorridente e simpática, me cumprimentou, questionando: "Sora, tu não dá aula normal?".Fiquei refletindo sobre o que a menina me perguntou e, de certa forma, achei aquilo muito interessante.Acredito que, para esta aluna, as aulas do Círculo da Matemática não tem nenhuma semelhança com as aulas que ela tem ou já teve durante sua vida escolar. Neste sentido, para ela, eu não sou uma professora normal... 

Futebol e Matemática, uma ótima combinação

E se as crianças participassem mais do próprio processo de aprendizagem delas? Se elas reconhecessem que aprender é um processo prazeroso, que pode estar vinculado com nossos gostos, nossos interesses e ideias?

Bem, esse foi o objetivo da aula com a turminha de 3º Ano. Eu perguntei quem gostava de Futebol. E todos levantaram a mão. Eu perguntei os nomes do jogadores que eles mais gostavam e eles iam me dizendo: - " Messi... Neymar... Kaká...". Eu falei que nós iriamos treinar um jogador na aula e que ele estaria se preparando para a Copa de 2014. Eu disse que nós seriamos os treinadores dele e escolheríamos como ele deveria treinar, quantos chutes, quantos passos... E elas escolheram que nosso personagem seria o Neymar. O Neymar foi o escolhido para treinar no campo (Reta Numérica). Eu falei que eles poderiam desenhar o  Neymar. E assim fizeram.


 E achei o desenho bem criativo. E eu comentei: - "Bem, onde o Neymar deve ficar, em qual posição?" (Me referi ao número na reta numérica). Eles me responderam no número 10, porque ele é camisa 10 na seleção. Então, fomos começar pelo 10. Até que uma das meninas disse: -" seria legal se a gente pudesse desenhar uma trave de um lado e do outro do campo, aí ele teria que tentar chegar na trave." Eu achei muito interessante a ideia e já fui pensando em perguntas para trabalhar com a adição e multiplicação na reta numérica. Eu perguntei: -" certo, o Neymar está no 10, mas para ele chegar na trave e fazer um gol, ele precisa treinar os chutes. Se ele der três chutes em direção a trave, e a bola for rolando de 4 em quatro, onde a bola pararia?" E eles foram me respondendo e desenhando na lousa. E eu fui aumentando o treino do Neymar. Eu disse que ele precisaria estar mais preparado para a Copa de 2014, então treinaria mais. Eu fui aumentando os tamanhos dos chutes e alternei com corridas para que o Neymar ficasse mais preparado. Enfim, as crianças se empolgaram com a aula e nem perceberam que estavam fazendo matemática.

Futebol e Matemática, uma ótima combinação.

(Karolynne Barrozo - Fortaleza - Ceará)

Dias que tem tudo para dar Errado

Pois bem, acredito ter escolhido um título bem auto explicativo para hoje. Sai de casa em direção a primeira escola do dia, pronto para encarar as crianças e armado somente com meus canetões e meu apagador.

Como esperar chegar na primeira turma do dia e descobrir que as crianças haviam sido liberadas porque a professora havia faltado? Bem, eu não esperava, mas tudo bem. Eu costumo pegar alunos de duas turmas, então no mínimo eu ia perder apenas metade da minha turminha. Conforme outras pessoas já falaram, é bastante complicado controlar uma turma de 10 aluninhos, então eu ia ter uma oportunidade única de trabalhar com uma turminha menor, com apenas 5, coisa que ainda não havia testado naquela escola.

Como esperar que, na segunda turminha a professora havia decidido que hoje era dia de ver filme? Sério, eu talvez até seja um bom professor, e talvez até saiba dar uma boa aula, mas pra uma criança, é impossível competir com um filme. Eu olhei pra professora e requisitei meus aluninhos. Ela começou a chamar e começou a choradeira:

- "Ah nao, não quero ir, eu quero ver o filme"
- "Não, vai outra pessoa, eu não quero ir não"
Etc, etc, etc...

De todo modo, fugindo ao cronograma normal (e sabendo que eu não posso competir com um filme), ofereci aos alunos que viessem apenas aqueles que quisessem. A professora escolheu dentre eles alguns e lá fomos nós pra minha salinha. Dos 5 aluninhos que recebi, 3 vieram a muito contragosto.

Para essa semana, eu programei passar o labirinto para todas as turmas. Nas turmas de segunda feira, algumas haviam procedido bem, outras nem tanto. Como esperar que, num dia que tinha tudo para dar errado, essa tenha sido uma das melhores aulas que eu já dei?

Foi impressionante, eu desenhei o labirinto e eles ficaram absortos no problema. Resolviam e queriam mostrar pros colegas que resolveram. Disputavam o canetão pra escrever no quadro. Foi impressionante ver eles se ajudando, inclusive os que não queriam estar ali (e constantemente me lembravam do fato).

Acho que de todo o circulo da matemática, talvez o momento mais interessante tenha sido esse aluninho, que também não queria estar lá. O desafio era resolver o labirinto iniciando da segunda linha e segunda coluna. Todos os coleguinhas dele já haviam conseguido, e estavam no quadro, disputando pra ver quem faria primeiro enquanto ele estava abaixado no papel. Eu fui lá ver o que havia acontecido e ele simplesmente não estava conseguindo resolver. Eu redesenhei a grade pra ele e fiquei observando enquanto ele resolvia ali, na minha frente. Acho que poucas vezes na vida eu vi uma criança tão feliz, pulando em cima das mesas, gritando - "Eu consegui, eu consegui" - pra quem quisesse ouvir (quando eu digo pulando em cima das mesas, eu digo no sentido literal mesmo, eu tive que tirar ele de lá). Quando terminou a aula e eu mandei eles de volta pra sala ele me abraçou bem forte e agradeceu a aula.

De todo modo, a segunda turminha que veio (que continha apenas 4 alunos) acredito que tenha sido a melhor turma que eu já peguei. Todos extremamente comportados, extremamente educados. Nós só tínhamos uma borracha, e eles se emprestavam a borracha com uma educação que me impressionava. Claro, sendo crianças eles ainda subiam em cima das mesas (pois é, mesas são coisas complicadas onde eu dou aula) e faziam farra, mas essa foi a primeira aula que realmente funcionou como um círculo. Quando eles resolviam eu atuava só de secretário do quadro, indicando como seria o desenho e a solução. Eles esperavam cada um a sua vez de falar, e prestavam atenção às soluções uns dos outros. Comentavam inclusive - "Seu labirinto parece um H" -  "o meu parece um C" - "esse parece um F deitado" -

Infelizmente, não deu pra pegar a terceira turma (novamente, não é possível competir com um filme), mas as turmas que eu dei aula super valeram a pena. Saio daqui a pouco para o turno da tarde meio sem saber o que me espera, mas, completando o título, tem dias que tem tudo pra dar errado, mas acabam dando certo!


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Resumo da Semana

Cada semana temos que lidar com o inesperado em sala de aula. Por mais que pensemos em organizar uma aula, com a respectiva atividade a ser trabalhada e os raciocínios a serem desenvolvidos com os alunos, descobri que isso não é o mais importante.

Tendo em vista a ampla abertura que damos aos alunos para participarem com perguntas a todo o momento, percebo que esse espaço tem se tornado muito valioso para que as crianças perguntem dúvidas que até então inquietavam elas na sala de aula (e não as aulas do Círculo). Na semana passada, uma aluna insistiu em perguntar sobre um problema que a professora regular tinha dado para a turma e que ela não havia entendido muito bem. Vendo a vontade com que ela me questionava, eu aproveitei a aula para trabalhar o problema em questão com toda a turma. O assunto era similar com um dos problemas do questionário 1. Nesse momento pudemos retomar a questão do questionário, bem como debatermos sobre o problema matemático da aluna. No fim, todos sairam da aula satisfeitos. E isso só foi possível devido a situação não prevista inicialmente, mas que foi muito oportuna, pois manteve a turma focada, atenta e, principalmente, participativa na aula.

Soma de Gauss

Muitos de meus alunos costumam pedir para fazer contas na lousa. Perguntei para eles então qual era o resultado da seguinte conta: 1 + 2, e todos responderam instantaneamente. "Muito fácil professor". Fui para a próxima conta então: 1 + 2 + 3 + 4. Depois de pensar um pouquinho todos chegaram a resposta, e vários me disseram novamente que era muito fácil. "Vou fazer uma pergunta difícil então. Quanto é 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 + 10 + 11 + 12 + 13 + 14 + 15 + 16 + 17 + 18 + 19 + 20 ?".

Nesse momento, uma parte dos alunos ficou muito animada vendo uma conta tão grande e difícil, afinal foi o que eles haviam pedido, mas outra parte desistiu antes mesmo de eu chegar ao 20. Acharam que era difícil demais. Eu concordei, era uma conta difícil mesmo, mas pedi para todos darem palpites tentando adivinhar o resultado final e anotei os palpites na lousa. Em seguida, perguntei para eles se não tinha um jeito mais fácil de fazer . Foram dadas diversas sugestões, teve gente que tentou contar nos dedos e teve gente que achou melhor desenhar palitinhos e depois contar, mas a maioria achou que a maneira mais fácil de resolver era armando a conta.

Depois de um tempo, eles foram percebendo que armar a conta não facilitava muito e começaram a tentar novas alternativas, até que um aluno sugeriu separar a conta que era muito grande em várias contas menores. Eles já haviam feito 1+ 2 + 3 + 4 no começo da aula, agora era só fazer o mesmo com os próximos números. No começo foi fácil para a maioria, mas começou a ficar complicado quando os números começaram a ficar grandes, como 14 + 15 + 16, por exemplo. E depois de tudo ainda tinham que somar todos os resultados parciais, o que não era tão simples também.

Um aluno sugeriu então que, ao invés de agrupar os números na ordem em que eles apareciam, formar grupos que facilitassem as contas. O 1 com o 9, o 2 com o 8, o 3 com o 7 e assim em diante. A ideia era muito promissora, mas os números grandes ficaram de fora. Como fazer para incluir todos os números?

O próximo passo foi juntar o 1 com o 19, o 2 com o 18 formando todos os pares de números que somados davam 20. Formaram 9 pares e ficaram sobrando o 10 e o 20. Alguns alunos sabiam multiplicação, e então fizeram a conta na lousa, e os demais se esforçaram para contar de 20 em 20 e somaram o 10 que faltava no final.

Depois disso, todos estavam cansados de tanta conta e não faltava muito tempo de aula, então ficamos resolvendo o labirinto até acabar o tempo, mas uma grande parte dos alunos ficou muito feliz por ter conseguido resolver uma conta tão difícil. Pretendo continuar esse tema em outras aulas e tentar chegar na fórmula da soma de progressões aritméticas, pois essa atividade me pareceu muito boa para uma turma que tanto pede para fazer contas.

Rodrigo

Quando você fica sem ação...

Tudo corria muito bem, até que um aluno responde a uma de minhas perguntas e outro rebate com :'' Seu burro 'tá' errado!".
No momento eu não gerei um ''auê'' e resolvi dizer :'' Calma, vamos verificar juntos a resposta do coleguinha, pois como eu disse, estamos aqui pra aprender juntos e eu quero as idéias de todos vocês pois sei que ninguém aqui é burro, muito pelo contrário são todos inteligentes e podem participar da aulinha dando a ideia de vocês, certas ou erradas!''... E  me responderam o seguinte:
'Tio, lá na sala a professora grita quando agente da a resposta errada...''
...
E agora Carlos??
Na hora fiquei receoso de gerar algum problema depois na escola, e resolvi apenas dizer para que eles participem e esquecer isso de que são burros.
Isso mexeu comigo de tal forma , pois não sei se fiz a coisa certa!!
E você o que faria??

Atenciosamente,
Carlos Alves

Bailarina...Bob Esponja...Batman... Pou...

Até onde vai a criatividade de uma criança?

Difícil responder, mais tão maravilhosa de ser explorada! Isso mesmo ''explorar'' a criatividade de uma criança nos leva ao mundo distante do que imaginamos existir.
Essa semana descobrimos os números negativos de diversas formas:
-''O Bob Esponja encontrou o Patrick e foram juntos para o Siri Cascudo, mas ele esqueceu a espátula para fazer os hambúrgueres de Siri e voltou pra casa dele.''
-''O Pou foi andando para o lanche e voltou pra fazer exercícios pois ele engordou muito.''(Desculpem a ignorância, mas não conhecia esse jogo ''Pou'' o que deixou a aula muito mais interessante pois de fato eles que conduziram tudo)
-''O Batman foi pra Gotan City e voltou em casa pra buscar o batmóvel.'' (Lembrando do relato de Priscila Pires)
Tudo é válido quando o objetivo é estimular a participação do aluno em sala de aula!
Interessante citar um de meus alunos ligou a existência dos números negativos com a 2ª questão do questionário (Sobre a sala que tem 3 pessoas e saem 7...), e quando perguntei pra ele o motivo dessa conclusão ele me respondeu: ''Já que existe número negativo, naquela pergunta eu vou conseguir tirar 7 de 3, mas não sei como!''.
Quase chorei de emoção, mas resolvi não aprofundar (não sei se fiz certo) pois ainda vou introduzir a adição e subtração com os pontos explosivos.



Atenciosamente,

Carlos Alves