Boa tarde,
Durante a semana me deparei com uma situação que me deixou com a cabeça cheia de questionamentos. Afinal, qual é o nosso real papel dentro de sala de aula?? O que os alunos esperam de nós professores??
Um de meus alunos sempre apresentou um comportamento difícil de lhe dá, onde muitas as vezes o próprio se denominava ''o capeta''. Todas as vezes que falava pra ele sentar na cadeira, meu pedido tinha uma duração de alguns minutos (quando não, segundos). Por inexperiência não sabia como contornar a situação, pois apesar de ter formação na aérea (o que na prática e bastante diferente do que muitas vezes me fora fantasiado durante a graduação) estou tendo pela primeira vez a oportunidade de ministrar minhas próprias aulas.
Enfim, eu não sou de gritar, eu procuro conversar e usar o que aprendi no Círculo da Matemática, sobre elogiar a participação do aluno, sem da ênfase quando obtiver a resposta correta e uma das táticas que estou usando nas aulinhas é passar a situação-problema e fazer mini grupos para eles usarem suas ideias no quadro.
Ao final de uma aula(labirinto) da turminha do aluno citado acima, eu resolvi parabeniza-los por não desistirem (resolvi não falar a resposta e usar vários exemplos de labirintos até chegar ao que não tem solução), e para minha surpresa eles estranharam dizendo que nunca foram parabenizados... Sinceramente eu me calei pois em uma outra turma que eu falei sobre a importância da participação deles sem medo de errar pois estávamos ali para aprendermos juntos, alguns me disseram que se eles responderem errado em sala de aula iriam ouvir berros! Nesses casos eu fico entre a cruz e a espada e de mãos atadas, sem saber o que falar.
Voltando ao assunto do aluno citado no início desse post, eu tive uma grande surpresa: estava arrumando a sala após finalizar as aulinhas do dia, e ele me apareceu perguntando se eu estava com pressa pra ir embora. Respondi que não e perguntei porque, e ele me informou que tinha feito um poema mas que foi expulso da sala e ninguém leu. Perguntei se ele me deixaria ler e ele disse que eu não iria entender a letra dele... Afirmei que iria conseguir sim, era só deixar eu tentar, e ele me deu o poema pra ler. Ele escreveu sobre a nossa tradicional chuva da tarde de Belém do Pará e eu li em voz alta pra ele ver como eu realmente entendia, e depois disse como o texto estava bom (e realmente estava) e sabe o que ele me disse?? Tio eu sou inteligente quando eu quero!
Não vou finalizar que desde desse dia todos foram ''FELIZES PARA SEMPRE'' e o comportamento dele mudou da água pro vinho porque isso não aconteceu, mas digo sinceramente que senti pequenas mudanças por parte desse aluno, principalmente com a diminuição da palavra ''capeta'' que soava constante da boca dele. Afinal tudo o que muitos querem é apenas atenção... uns mais que os outros, sendo que devemos ponderar bastante essas situações. Não devemos exigir demais de nossos alunos pois capacidade todos eles tem só que eles à demonstram quando bem entendem ou quando se sentem a vontade.
Atenciosamente,
Carlos Alves
Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.
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sábado, 23 de novembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Quando você fica sem ação...
Tudo corria muito bem, até que um aluno responde a uma de minhas perguntas e outro rebate com :'' Seu burro 'tá' errado!".
No momento eu não gerei um ''auê'' e resolvi dizer :'' Calma, vamos verificar juntos a resposta do coleguinha, pois como eu disse, estamos aqui pra aprender juntos e eu quero as idéias de todos vocês pois sei que ninguém aqui é burro, muito pelo contrário são todos inteligentes e podem participar da aulinha dando a ideia de vocês, certas ou erradas!''... E me responderam o seguinte:
'Tio, lá na sala a professora grita quando agente da a resposta errada...''
...
E agora Carlos??
Na hora fiquei receoso de gerar algum problema depois na escola, e resolvi apenas dizer para que eles participem e esquecer isso de que são burros.
Isso mexeu comigo de tal forma , pois não sei se fiz a coisa certa!!
E você o que faria??
Atenciosamente,
Carlos Alves
No momento eu não gerei um ''auê'' e resolvi dizer :'' Calma, vamos verificar juntos a resposta do coleguinha, pois como eu disse, estamos aqui pra aprender juntos e eu quero as idéias de todos vocês pois sei que ninguém aqui é burro, muito pelo contrário são todos inteligentes e podem participar da aulinha dando a ideia de vocês, certas ou erradas!''... E me responderam o seguinte:
'Tio, lá na sala a professora grita quando agente da a resposta errada...''
...
E agora Carlos??
Na hora fiquei receoso de gerar algum problema depois na escola, e resolvi apenas dizer para que eles participem e esquecer isso de que são burros.
Isso mexeu comigo de tal forma , pois não sei se fiz a coisa certa!!
E você o que faria??
Atenciosamente,
Carlos Alves
domingo, 10 de novembro de 2013
Dois cenários
Por algum tempo dei aula apenas na Victor Issler, uma escola em um bairro muito carente aqui em Porto Alegre. Tive alguns problemas referentes à indisciplina, mas acredito que isso é esperado em todas as turmas. Mais importante é que as crianças tem muita dificuldade na formalização dos números e passam boa parte do ano letivo sem entender direito as operações básicas. Nesse cenário, o Círculo da Matemática encaixou-se perfeitamente, em algumas turmas mais em outras menos, mas todas as crianças abracaram o método com muita empolgação a cada vez que participaram da aula. Viam problemas difíceis de matemática se resolverem perante os próprios olhos e pediam mais, e assim as aulas fluíam muito bem; vi a autoestima de algumas crianças brilhar, crianças que normalmente são quietas e reservadas fazendo de tudo para participar.
Num outro cenário, em uma outra escola num bairro de classe média me deparei com a situação oposta: as crianças já "sabiam" tudo. Pontos explosivos e bailarinas não aguçavam sua mente e logo eu via bocejos aqui e ali. Não tardou, no entanto, pra eu conseguir usar isso em favor do método. Passei as primeiras aulas revisando as 4 operações com eles e fazendo máquinas de funções primeiramente bem simples, mas depois relativamente complexas. Isso bastou pra elas se empolgarem e pedirem mais a cada aula. Em uma turma uma menina disse que não queria ir ao recreio, preferia continuar com a aula! Acho que a lição é que não há criança que não se encante com o método, e não há criança que desgoste da matemática ou a encare como um bicho papão depois de participar de algumas aulas. Chesterton dizia que se você abrir uma porta para uma crianca de 7 anos e disser que há um dragão atrás dela, ela irá se impressionar, mas que para uma crianca de 3 anos basta abrir a porta. Ou seja: algumas crianças serão atraídas pela informalidade e pelo aspecto lúdico do Círculo, outras pela realidade dura e absoluta de se trabalhar com números e encontrar sempre a resposta correta.
Num outro cenário, em uma outra escola num bairro de classe média me deparei com a situação oposta: as crianças já "sabiam" tudo. Pontos explosivos e bailarinas não aguçavam sua mente e logo eu via bocejos aqui e ali. Não tardou, no entanto, pra eu conseguir usar isso em favor do método. Passei as primeiras aulas revisando as 4 operações com eles e fazendo máquinas de funções primeiramente bem simples, mas depois relativamente complexas. Isso bastou pra elas se empolgarem e pedirem mais a cada aula. Em uma turma uma menina disse que não queria ir ao recreio, preferia continuar com a aula! Acho que a lição é que não há criança que não se encante com o método, e não há criança que desgoste da matemática ou a encare como um bicho papão depois de participar de algumas aulas. Chesterton dizia que se você abrir uma porta para uma crianca de 7 anos e disser que há um dragão atrás dela, ela irá se impressionar, mas que para uma crianca de 3 anos basta abrir a porta. Ou seja: algumas crianças serão atraídas pela informalidade e pelo aspecto lúdico do Círculo, outras pela realidade dura e absoluta de se trabalhar com números e encontrar sempre a resposta correta.
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terça-feira, 5 de novembro de 2013
Com a ajuda da Escola a situação é outra
Fiquei super feliz de começar a aplicação do projeto durante essa semana e pro meu alívio: A Escola abraçou o projeto. De tal forma que me deparei com professoras me pedindo para pegar as turmas delas, e que se preciso elas me deixavam na sala. Foi possível notar que a preocupação maior é o desempenho dos alunos em sala de aula.
Com o entusiasmo das professoras, diretora e coordenadoras, sinto-me mais animado e empolgado para ir aplicar o projeto, pois me senti parte da equipe. Com isso venho relatar que o trabalho esta fluindo muito bem e em breve postarei sobre as aulas com as crianças!!
Atenciosamente,
Carlos Alves.
Com o entusiasmo das professoras, diretora e coordenadoras, sinto-me mais animado e empolgado para ir aplicar o projeto, pois me senti parte da equipe. Com isso venho relatar que o trabalho esta fluindo muito bem e em breve postarei sobre as aulas com as crianças!!
Atenciosamente,
Carlos Alves.
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