Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.

domingo, 31 de agosto de 2014

Sexta animada .... Vocês sabem que tem dias que ficamos até tristes de tão cansados .... Mas essa turminha em especial animou meu coração .... Fizemos o Brócolis .... Que é um Mc, kkkkk para pular na reta... Testamos algumas opções ... Aí disse... Mas está faltando uma opção pro Mc Brócolis chegar até seu cordão de ouro.... Olha o resultado.. O melhor foi essa garotinha do canto da foto... Fazendo os palitinhos ... A carinha dela quando ela descobriu.... Isso não tem preço ....OBS: usamos a sala de Educação Especial... Então...temos apenas esse pedaço da lousa....


Como ensinar se não há crianças?



A primeira semana de aula é sempre uma volta a rotina, rever os amigos, novas atividades para aprender, porem às vezes podemos vivenciar o inverso.
 Vemos os Pais reclamarem de quando os Professores estão em greve, quando não há aula por conta do professor ficar doente ou por conta da capacitação de professores, porem, quando se começa as aulas alguns Pais tem a rotina de estender um pouco mais as férias dos filhos, talvez pela “necessidade de mais um tempo de descanso” ou a velha ideia que a primeira semana de aula é somente para apresentação e enrolação dentro de sala de aula, enfim, assim vemos o resultado mesmo após algumas semanas de aula: uma sala vazia, onde deveriam cheia de crianças em busca de um novo conhecimento.


A Máquina de Função


Olá galera. Tudo bem?

Essa semana eu não consegui escrever na quinta-feira, que é meu último dia de aula, porque fiquei bem gripada. Mas peguei as anotações de quinta e hoje estou aqui. ^.^
Bem, minha questão hoje, a priori, é meio frustrante...

É que no livro 1 do Círculo um dos exercícios que eu mais gostei foi o da Máquina de Função. OK. Tudo certo até ai. Pra mim ele é um dos mais legais e eu tinha quase que certeza absoluta que as crianças iam adorar, iam super se envolver e tentar resolver e descobrir os segredos de transformação da máquina.

No entanto, para a minha surpresa, no início, não foi bem assim que aconteceu....
Eu fiz a máquina no quadro mais ou menos assim:


O primeiro "segredo" que a máquina me contou foi o de que entravam e saiam os números conforme a Tabela 1:

Entrada
Saída
1
2
2
3
3
4
4 
 5
                Tabela 1

A cada número que entrava, as crianças sabiam me dizer exatamente qual seria o próximo número a sair, mas não sabiam me dizer porque. E assim foi quase que a aula toda...

O que me frustrou foi que, pelo quadro do desenrolar da aula, eu achei que algumas crianças não acharam graça no exercício e nem davam palpites nem nada. Eu chamava elas, perguntava qual número elas queriam que entrasse, qual iria sai, mas nada da empolgação ou entusiasmo esperados. Era uma terça - feira de chuva e a maioria das crianças não tinham ido pra escola e a turma, naturalmente, já estava menos cheia mesmo.

Mas, como eu disse anteriormente, a frustração foi somente a priori. O que aconteceu e que foi o mais interessante é que depois que eu aumentei o grau de dificuldade da regra de entrada e saída dos números, as crianças interessadas passaram a se interessar mais e as crianças desinteressadas, começaram a dar palpites.

Depois da primeira e de outras tabelas, a última tabela que fiz foi a seguinte:

Entrada
Saída
100
50
150
75
200
100
250 
 125

Ou seja, saía sempre a metade do número que entrou. E para minha surpresa... Todas as crianças estavam participando.... Fiquei tão feliz e emocionada com tudo isso. O que pude concluir é que não era a atividade que era chata e nem eu que não estava sendo legal o suficiente. Na verdade, o exercício estava fácil demais e as crianças não estavam se sentindo desafiadas.
Bom, mais uma lição aprendida!!!!!










sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Quando os olhos não podem ver...

Tenho um aluno cego em uma de minhas turmas de 1ºano do Círculo. Muitas questões me  preocuparam (e ainda me preocupam) assim que soube que teria um aluno especial em minha turma. Como interagir com ele? Como fazer com que ele acompanhe as aulas e possa participar efetivamente das atividades propostas? Como produzir um material adaptado que possibilite isso? Já havia lido algum material a respeito de deficiência visual e intelectual, surdez e inclusão escolar, devido a minha participação em um projeto, numa escola pública, com deficientes intelectuais. Mas apesar disso, nunca havia dado aula para cegos. 
Na primeira aula do Círculo, com essa turma, trabalhei figuras geométricas. Para o meu aluno cego, preparei figuras geométricas em papelão, coberto com papel camurça, já que o contato do cego com o mundo à sua volta se dá pelo som e pelo tato e, explorar as sensações que cada material proporciona é muito importante para o ensino destes alunos. Ele conseguiu identificar, facilmente, as figuras em papelão, mas teve dificuldades em perceber as formas em alto-relevo numa folha sulfite (feitas com tinta relevo), pois as figuras geométricas estavam muito juntas e isto atrapalhou sua identificação. Na aula após o questionário, levei um material adaptado para trabalhar a reta, mas ele não ficou muito interessado e resolvi não insistir. Na aula seguinte, tentei fazer com que ele acompanhasse o que estava acontecendo na reta dando informações, oralmente. Consegui que ele realizasse saltos de 2 passos em 2 passos e de 3 passos em 3 passos. 
Nesta semana, preparei o material abaixo, uma versão mais bem construída e maior daquela que havia levado antes. Usei barbante, uma caixa de papelão, tinta relevo e um pedaço de canudo, o qual pode se mover ao longo do barbante, representando a bailarina ou outro personagem. Expliquei para o aluno, tateando o material com ele, que era uma reta com números marcados, que se indicava no zero e terminava no vinte, que o barbante representava a reta e o canudo a bailarina (Esquelita, no nosso caso). 

Reta Numérica 1
Reta Numérica 2
Só indiquei, em Braille e com tinta relevo, os números de 0 até 9, pois ainda não sei como representar os demais números, mas pretendo pesquisar isso para a próxima aula. Após fazer um reconhecimento tátil do material, ele conseguiu realizar saltos de 2 em 2, de 3 em 3 e de 4 em 4. Na próxima aula, trabalharei operações na reta e acredito que ele será capaz de compreender a aula, com a ajuda deste material. Não é o ideal ainda, mas pode ser um começo... Agradeço qualquer sugestão para adaptação das atividades do Círculo.

Ana Paula Irineu,
São Paulo.

Números entre números

Nessa semana trabalhamos a atividade Números entre números em uma turma do 4º ano.
Perguntei a eles se havia algum número entre zero e um. Todos foram unânimes: NÃO! Questionei se eles tinham certeza, e então eles começaram a pensar. Como eles não faziam ideia do que dizer, desenhei um quadrado no quadro e o partí no meio. Perguntei a eles em quantas partes eu dividi e eles responderam: "duas!". Então apaguei uma das metades e perguntei "quanto de quadrado" temos agora. Um aluno respondeu que era meio. Então questionei "O que é meio?". Eles ficaram pensando e depois responderam que era metade. Então perguntei como eu poderia representar essa metade, esse "meio número", como eles tinham sugerido. Alguns sugeriram que eu representasse como zero, então voltei ao quadrado e fiz eles perceberem que tínhamos dividido 1 em 2, e depois de mais alguns esforços chegamos ao símbolo 1/2 para o "meio número".

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Persistência



Olá, pessoal!
Bom, como é meu primeiro post no blog (lamento e peço desculpas), perdoem meu amadorismo. Devo dizer que estou muito grata às experiências obtidas até agora através do Círculo e que a cada dia não só ajudo as crianças a descobrirem novas coisas, como elas também, sem saberem, me ajudam a crescer e redescobrir o mundo delas e isso é incrível.
Gostaria de contar um pouco algo que me chamou bastante atenção semana passada, e que pude sair de sala extremamente feliz pelo ocorrido ali. Há tempos eu já vinha “batalhando” em uma turminha, na qual, uma aluna em especial desde o início das atividades do círculo na escola, vinha resistindo à metodologia, sempre dispersa, e até mesmo incitando os outros coleguinhas para  que não participassem das atividades, já que “não valia nada, nenhum pontinho”, como ela mesma costumava dizer. Nem o nosso coringa,o labirinto, a conquistou. Mas o contrário mostrou-se presente na nossa última aula, em que eu entrei em sala e comecei a conversar com eles sobre vídeo games, televisores, máquinas em geral, para então introduzir a atividade da Máquina de funções. Expliquei que teríamos que inventar uma máquina especial, que não lavava, não passava, não transmitia desenho animado, mas que era muito especial porque processava funções matemáticas, todas que nós quiséssemos, e que eles teriam que criar o formato, os botões, o desenho como um todo. Logo todos saltaram das carteiras querendo ir ao quadro e foi neste momento que a aluna que citei no início do texto, me indagou:
-“ Tia, a senhora deixa eu fazer? Mas tem que ser do jeito que eu quiser.”
Como numa explosão de maturidade naquele momento, as outras crianças perplexas, assim como eu, cederam espontaneamente suas “oportunidades” de criarem um pedacinho da máquina para que a aluna a fizesse. Logo após ela ter desenhado, eu expliquei como funcionaria a atividade, sobre os números de entrada e saída e sobre o segredo (que inicialmente seria uma multiplicação por 2). Pedi para que as crianças sugerissem números e se gostariam na entrada ou na saída, e a aluna disse pra mim “Ah, tia, pede pra outro que eu não sei, não adianta. O desenho eu já fiz!”. No mesmo momento eu disse que ela ia me ajudar, porque eu também não sabia e estava pedindo a ajuda deles pra todos nós descobrirmos juntos, e logo uma das outras crianças foi ao quadro  tentar fazer e descobriu rapidamente o segredo, mas o que me deixou feliz, não foi o fato desta outra criança ter descoberto rapidamente, e sim, a atitude seguinte quando ela chamou a aluna dizendo, “Vem cá, olha como a gente tem que fazer, faz aqui comigo”. Foi difícil conter o orgulho, confesso. Assim a aula prosseguiu e a aluna foi participando, e como se eu já não estivesse satisfeita o suficiente, ela me prometeu trazer na próxima aula uma outra máquina no caderno pra eu tentar adivinhar o segredo.
Se vocês me perguntassem o porquê da mudança de comportamento da aluna naquela aula eu realmente não saberia dizer, mas, me arrisco a dizer que foi justamente a “insistência” naquela criança. Em não desistir dela, em não mandá-la de volta para a sala mesmo quando ela tentava dispersar as outras crianças, em não se colocar na posição de quem sabe tudo e eles não sabem nada, em persistir encorajando-os, fazendo-os acreditar que eles são capazes, sim!. De fato, não sei o real motivo, mas fiquei com uma sensação muito boa de dever cumprido.

Números negativos e a reação de um 3º ano

        Eu venho trabalhando com a atividade da bailarina durante esta semana e as passadas. Estamos avançando aos poucos, no início comecei introduzindo e realizando algumas operações de adição e avançamos de acordo com o entendimento deles. 
           Em um 3º ano, que dividi em duas turminhas, quando iniciei a bailarina, começamos uma discussão sobre que número ou números havia antes do zero. Em um dos grupos, não chegamos à resposta nessa aula, porque eles tinham tantas ideias sobre esse assunto que passamos o tempo discutindo as ideias de cada um. Nesse dia eu fiquei muito contente com todas as ideias. Nenhuma se aproximava, mas a diversão foi mais importante do que chegar ao resultado logo de cara. Além das respostas de que havia o 0 antes do zero ou qualquer outro número, ou uma sucessão de zeros, teve uma criança que disse que tinha um buraco sem fim e que se você andasse antes do zero você cairia e ele desenhou no quadro o que quis dizer. Teve até uma menina também que disse que antes do zero vinham os números romanos! Eles tinham tantas ideias sobre isso que, quando eu disse que a aula tinha acabado, ele ficaram me implorando para saber e eu disse que para saber, tinha que descobrir. 
             Depois desse dia, ficamos sem aula por duas semanas. Só ontem retornamos à aula ontem. Como o intervalo foi muito grade, eu pensei que eles tinham esquecido tudo. Ledo engano; a primeira coisa que uma das meninas do grupo que não tinha descoberto o número antes do zero, enquanto caminhávamos para a sala,  foi: "eu já sei que número vem antes do zero, são os números negativos, o -1, o -2, o -3,...". Ela não se aguentou de curiosidade e foi pesquisar! Eu fiquei surpreendida, porque fazia duas semanas que a gente não se via, mas a pergunta ficou na cabeça dela. 
            Eu pedi que ela não revelasse tão rápido para os outros e esperasse que eles também descobrissem. Ela passou metade da aula ansiosa para falar. Na hora dessa discussão, porém tive outra surpresa, um dos meninos falou: "antes do zero vem o -1, -2, -3,..." e a menina disse: "era isso que eu ia falar!". Para que os outros também entendessem, comparamos o -1 com o 1 e de novo, para a minha surpresa, quando perguntei: "se o Camaro Amarelo(eles trocaram bailarina por carro) sair do 5 e pular 6 passos para trás, onde ele vai parar?", foi quase que automático, eu ouvi a maioria falando -1!
            Mas não foram só as ideias dessa turminha que me surpreenderam. As da outra metade da turma também. Nessa outra, conseguimos chegar aos negativos na aula inicial, mas não fomos muito além. Eu também achei que eles tivessem esquecido, mas quando perguntei, eles tentaram lembrar e uma das meninas disse: "-1, -2, -3". Continuando a conversa, eu perguntei: "se o Rodrik (eles escolheram um roqueiro para andar sobre a reta) sair do 1 e chegar até o 23, quantos saltos de um passo ele terá que dar?" Eles deram os palpites e uma das meninas disse: "para saber a resposta é fácil, é só fazer 23-1" Então conferimos todos. Então outra menina disse: "e se sair do 8 para chegar ao 23?" Então fizemos 23-8! 
            Uma das coisas que mais me deixa contente é ver a motivação, a vontade de ir atrás, de pensar e pesquisar. O círculo me mostra todos os dias que tem essa capacidade de levar a criança para além da sala de aula, de ativar a criatividade e a curiosidade. Ontem eu fiquei muito feliz com eles.