Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.
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domingo, 20 de julho de 2014

Recomeço das aulas

Na semana passada voltei ao Círculo. Tive que me afastar por conta do estágio supervisionado da universidade. Por ter participado no ano passado eu já fazia alguma ideia de como poderia ser e estava mais confiante ao agir. Foi ótimo retornar. Eu fiquei com crianças do 1º, 2º e 3º ano, todas novatas no Círculo. Não pude ficar com as do ano passado, por faltar sala nas escolas, o que foi uma pena, pois gostaria de saber como estão os alunos antigos e continuar o trabalho com eles.
Em todas as turmas resolvi jogar o jogo da pirâmide do faraó. Se elas se cansassem, eu mudava de atividade, tentava fazer o desafio do pasto e nos cinco minutos finais, para descontrair eu jogava o jogo do par e do ímpar.
No jogo da pirâmide eu primeiro perguntava para que servia uma pirâmide e como era mais ou menos o formato. Depois eu dizia a elas que a gente tinha que ajudar o faraó a construir usando blocos de pedra. Na base deveria ter seis retângulos ou quadrados e eu perguntei a eles quanto deveria ter em cima, e assim sucessivamente até chegar no topo com um retângulo. Eu resolvi jogar contra eles e também dividir em dois grupos para jogar. Foi divertido ver como eles se reuniam na frente do quadro para falar o que fazer e onde colocar para que ganhassem.
No desafio do pasto eu contava a história do pasto e perguntava como começar a pensar. A maioria disse um número de cara, outros porém disseram que a gente tinha que tentar com vários números para ver se dava certo. Algumas turmas chegaram ao resultado, mas ainda assim alguns não entenderam que tinham chegado. A grande maioria não chegou ao resultado, mas isso não importa muito, porque o raciocínio por trás foi mais importante e é o que fez a atividade valer a pena.
Eu resolvi jogar o jogo do par e do ímpar, uma espécie de vivo ou morto, nas turmas onde eu percebi que eles se cansaram no final e precisavam de uma animação. Às vezes para não causar muita competição, quem perdia ia para a frente e falava um número.
Nessa primeira semana pude perceber quais turmas eram mais agitadas e tomei notas para saber como trabalhar com elas de maneira proveitosa. Mas o bom da maioria das turmas agitadas foi o elevado nível de participação da turma e isso com certeza usarei a nosso favor.
O que foi mais marcante, entretanto, foram três turmas em especial chamaram a minha atenção. Eles eram todos da mesma sala do 3º ano. Todos eles estavam muito contentes por estar ali e participaram com toda a emoção. Eu recebi convite até para lanchar na sala deles. No último grupo foi bem legal. Eles conseguiram chegar na resposta do pasto rapidamente e sabiam o porquê de ter dado essa resposta.  A menina mais feliz e agitada da sala pediu para colocar um jogo no quadro e  fez um jogo da forca. Eu disse que para jogar eles tinham que transformar a forca em um jogo de matemática. Foi quando alguém disse: "Já sei! Vamos colocar uma conta no lugar das letras!" Eu disse que tudo bem e na minha vez errei o resultado de propósito para ver o que eles faziam. Todos se juntaram porque achavam que eu estava errada e fizeram a conta eles mesmo para provar. Nessa hora, um dos meninos quis me desafiar e perguntou quanto era a metade de uma raiz quadrada. Eu disse que não sabia e perguntei quanto era para ele; ele também não sabia. Como eles estavam em pé e agrupados perguntei se alguém sabia a resposta. Foi quando uma das meninas respondeu:"Ora! É uma raiz triangular!". Eu pedi que ela colocasse isso no quadro para a gente entender e foi quando ela fez um desenho parecido com esse:

Essa foi uma ótima ideia!
No final ela e a menina mais feliz e agitada de antes não quiseram sair da sala. Todos saíram e ficamos nós três. Ela disse que ainda tinha um jogo para me mostrar, então desenhou uma espécie de calculadora no quadro e pediu para que a gente escolhesse dois números cada e uma operação. Deu 34x18. Vencia quem respondesse primeiro. Elas ainda não tinham aprendido multiplicação com dois dígitos, então pedi para que quando elas descobrissem, que elas me falassem. Eu tive que deixar as duas na porta da sala de aula delas, porque senão elas não iam mais querer sair dali!
Nesta semana tem mais aula, que eles nos surpreendam cada vez mais!

Jessica de Abreu Barbosa
Brasília, DF

sexta-feira, 14 de março de 2014

Início das Atividades 2014

Essa semana retomei as atividades do Círculo em algumas escolas públicas de Porto Alegre! A maioria dos meus alunos já teve aulas comigo no ano passado e estavam muito felizes com a volta às aulas. Mas, também tenho algumas turmas novas e alguns alunos novos nas turmas que já dava aulas, eles vão passar por uma fase de adaptação, pois as aulas são totalmente diferentes do que eles conhecem...
Nas turmas onde já tinha dado aulas, os alunos já entraram na sala perguntando sobre a máquina de funções e a bailarina, fiquei feliz ao ver que ainda lembravam tão bem das atividades realizadas ano passado.
Mas, a proposta dessa semana foi "montar" uma loja e dar a eles notinhas de dinheiro para que brincassem de compra-venda. Em uma das turmas, criaram a loja do anjos e tínhamos poder de anjo, roupa de anjo e arco e flecha pra vender, tudo bem caro (afinal, coisas de anjos devem ser caras certo? foi o que me disseram...).
Levei notas de dinheiro de brinquedo de um jogo que tinha em casa, eram notas que iam de R$1000 a R$ 100000. Eles estavam animados ao brincar com esses números grandes! Foi interessante que algumas das peças que eles quiseram colocar a venda nas lojas valiam menos que R$ 1000 e eles logo diziam, "profª tu vai ter que dar troco!", eu perguntava "quanto?", mas muitos tiveram dificuldade em responder, em alguns casos diziam, muito troco, em outros pouco troco, mas foi legal ver eles tentando descobrir, afinal, todos queriam o troco certo!

-  um dos alunos descobriu como calcular seu troco e ficou tão empolgado que me dava notas maiores na compra só para poder dizer o troco que resultava de cada nota diferente que me dava.

- outro aluno me disse que queria comprar uma arma de paintball (sim, nessa turma quiseram montar uma loja que vendesse produtos de paintball). Perguntei a ele que nota me daria e sua resposta foi muito engraçada, disse: "olha, se você estivesse me incomodando e eu quisesse te dar trabalho, te daria a nota de R$ 100000 para você precisar ficar mais tempo calculando o troco para me devolver. (que bom que eu não estava incomodando ele...)

- em outra turma quiseram vender uma escola na loja. Colocaram o preço de R$ 19000000000! Perguntei se com o dinheiro que eles tinham dariam para comprar a escola. A princípio disseram que sim, então pedi que separassem o dinheiro da compra e me dessem. Quando começaram a analisar suas notas, perceberam que não daria. Um aluno sugeriu : "acho que se juntarmos o dinheiro de todos da turma podemos comprar a escola". Bom, começamos a fazer isso, mas quanto mais juntávamos, mais eles percebiam o quanto 19000000000 era realmente um valor alto. No fim da aula um dos alunos disse: "É professora, descobri que uma escola realmente vale mundo, acho que precisamos do dinheiro do mundo inteiro pra comprar ela". Tive que rir, e respondi "é, uma escola vale muito mesmo!"


Foi muito bom estar de volta às escolas e rever os alunos e professores! Também foi bom conversar com a coordenação pedagógica sobre as atividades do ano passado e ver como estavam animados com a experiência e os resultados obtidos. Foi um ótimo recomeço e mal posso esperar pela experiência de mais um ano de prática do Círculo da Matemática nas escolas. Fazer parte dessa investida para uma melhor educação no Brasil é mesmo uma oportunidade única e um privilégio.