Olá pessoal!
Primeiro, desculpe a demora com a postagem! Tive alguns problemas com conectividade da internet essa semana.
Segundo, como o tempo voa! Encerrei as atividades do Círculo em 2 escolas essa semana e, na próxima, encerrarei as atividades em mais duas escolas. O sentimento? Eu realmente queria ter mais tempo para trabalhar com esses pequenos! Parece que finalmente a maioria das turmas estava no ritmo da abordagem, participando, cooperando, e desenvolvendo uma amizade com seu grupo e comigo. Bom, mas vou relatar algumas experiências desses últimos encontros...
* Um dos alunos, após a atividade do labirinto, contou-me que foi para casa tentar fazer o caminho a partir da segunda casa. Ele chegou com uma folha na aula da outra semana com um desenho de labirinto dizendo que tinha conseguido. Olhei o desenho, mas ele tinha parado o caminho e começado em outro canto para conseguir fechar. Então ele disse "consegui fazer só desse jeito, acho que do outro jeito não tem mesmo como, fiquei até meia noite tentando!" - Imaginei sua família vendo ele tentar algo de matemática até tarde da noite porque ele queria tentar!
* Falando em labirinto, em uma das turmas, depois de os alunos tentarem várias vezes passar por todas as casas começando pela segunda casa, chegaram a conclusão de que não era possível. Perguntei "Mas, por quê?". A resposta de uma aluna me surpreendeu: "Acho que tem a ver com a quantidade de casas em cima e em baixo da casa que começamos. Se tem número ímpar de casas em cima e em baixo. Não é possível. Mas se tem número par de casas em cima e embaixo, conseguimos fazer o caminho." Perguntei aos outros: "O que vocês acham disso?". Logo, alguém respondeu: "Acho que precisamos testar em outras casas onde isso acontece para termos certeza." Começamos a testar, mas infelizmente, o tempo de aula terminou. Me surpreendeu o raciocínio para demonstrar que eles apresentaram! Tinham uma hipótese, mas sabiam que não podiam afirmar sem ter mais precisão.
* Em outra turma, onde realizamos a atividade de cortar as pizzas, na semana seguinte, 2 alunos vieram me contar que continuaram a atividade em casa. Um disse "cheguei só a 50 pedaços!", tive que rir, "só 50, perguntei? 50 é bastante!", e ele respondeu "não, 50 é bem pouco!". O outro aluno me contou "cortei em 70 pedaços! E meu pai depois comprou uma pizza de verdade!"
* A mãe de uma de minhas alunos me procurou antes da aula e perguntou "você é a professora de matemática da minha filha?", respondi que sim e ela falou: "sempre chegamos um pouco atrasadas na escola, mas na sexta-feira (dia em que ela tem aula), tenho que chegar bem cedo, pois ela fica muito chateada se perder a aula de matemática!" - Foi engraçado ouvir isso sobre uma aula de matemática :)
*** Bom, infelizmente, sinto que em algumas turmas não cheguei ao objetivo da abordagem. Penso que 10 alunos realmente seja um número grande para determinadas turmas. Posso listar 5 turmas onde o trabalho não se desenvolveu da maneira esperada pois as crianças rapidamente se desconcentravam e não queriam participar. Me senti triste pois vi as outras turmas irem adiante, e muito felizes com as aulas do círculo, enquanto nessas turmas a aula não parecia despertar a atenção das crianças, ou quando despertava uma parte da sala a outra já estava distraída. É algo para se pensar, tive turmas com 10 alunos que foram maravilhosas, mas outras que acho que se dividisse em 2, o trabalho teria tido outra cara. Vi essa dificuldade, especialmente em escolas onde as crianças eram mais carentes. Só o fato de uma vir ao quadro, fazia com que todos quisessem vir, e 10 no quadro (que não é tão grande) não era possível, então as outras se dispersavam. Me parece que essas crianças precisam de muita atenção e fazem de tudo para ter essa atenção, mas quando todos lutam por isso ao mesmo tempo, o trabalho se torna difícil.
* Ah! Também queria falar sobre 2 turmas que atendo de 4ª série, todas as demais são do 2º ou 3º ano. No início, nessas turmas, onde tinha os alunos mais velhos, e ambas as turmas com 12-13 alunos, tive dificuldade para cativar esses alunos. Mas, as últimas 3 aulas, foram incríveis! Eles mudaram totalmente de postura, de alunos indiferentes a alunos participativos. Três alunos que eram extremamente agitados e agressivos, falaram nessas semana comigo: "Professora, ontem jogamos futebol, fizemos 5 gols e dedicamos eles a você!" Foi tão legal ouvir isso deles, ver o carinho e amizade que começamos a desenvolver. Muitos desses alunos da 4ª série se acham burros, acham que não sabem nada (parece que quanto mais velhos, menos crédito eles tem deles mesmos), por isso não querem participar, parece que desistiram de tentar, afinal, seus erros sempre fizeram com que fossem excluídos. Mas, ver essa mudança de postura, a participação deles nas últimas aulas... E vê-los brincar quando alguém errava, ou quando eles próprios erravam "mas somos muito burros mesmo!", mas agora era simplesmente uma brincadeira, eles riam e continuavam participando, é, não tem preço! - Obs: semana que vem, a professora deles vai viajar um dia e a direção da escola me procurou para que eu desse aula pra eles, acreditam? Aceitei e os alunos vibraram, algo que certamente não teria acontecido 2 meses atrás....
Acho que já escrevi demais! Vou, com certeza, sentir saudades desse alunos! Quer dizer, dos meus novos amigos :)
Abordagem para o ensino da matemática de forma participativa, colaborativa e lúdica para estimular o aprendizado, auto-estima e gosto pela matemática. Projeto apoiado pelo Instituto TIM.
sábado, 30 de novembro de 2013
Abordagem do erro
A proposta do Círculo é uma abordagem diferente, sendo que a aula irá fluindo de acordo com que a criança responder, mesmo que esteja incorreta a resposta. Com isso, pude observar que as crianças se sentem bem para responder, participar e errar, e com isso perguntei a um aluno porque gostava de assistir aula no Círculo, a resposta foi: "porque lá na sala a tia não deixa a gente falar, quando respondemos errado ela briga com a gente". A criança precisa ter seu espaço dentro de sala de aula, nem que seja para se incluir dentro do grupo, percebemos que hoje em dia não vemos crianças participativas pois estão sendo oprimidas dentro da sala de aula. Com isso a proposta do Círculo da Matemática vem para desconstruir nas crianças a ideia que foi montada durante anos, a ideia que o erro é punitivo.
Manoel Araújo
Belém-PA
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Aprendizagem
Boa tarde a todos!
Só queria compartilhar como o círculo da matemática está me ajudando com tudo, nessa semana eu percebi como eu também aprendo com as crianças, um dos intuitos do projeto é fazer com que as crianças participem mais e nessa semana além de ver algumas crianças participando muito mais, eu mesma nas minhas aulas fiquei mais participativa. Enfim o projeto além de ajudar as crianças têm me ajudado muito também em muitos aspectos e eu só tenho a agradecer esse maravilhoso projeto que tenho certeza que vai crescer muito mais e ajudar muitas pessoas!
Pontos Explosivos
Nesta semana e na semana anterior tenho trabalhado com os meus alunos os pontos explosivos. Confesso que havia deixado essa atividade para o final, pois pensei que a mesma não faria tanto sucesso com os alunos devido a dificuldade que alguns deles tem para resolver simples "continhas".
Porém, o resultado foi totalmente o contrário. Os alunos adoraram a "brincadeira dos pontinhos". Todos queriam participar e até brigavam dizendo 'Égua tio, o senhor não me chamou mais pra ir fazer' quando não eram chamados logo ao quadro. (Só pra relembrar, a expressão ''Égua'' é utilizada muito no Pará com intenção de dar intensidade).
Porém, o resultado foi totalmente o contrário. Os alunos adoraram a "brincadeira dos pontinhos". Todos queriam participar e até brigavam dizendo 'Égua tio, o senhor não me chamou mais pra ir fazer' quando não eram chamados logo ao quadro. (Só pra relembrar, a expressão ''Égua'' é utilizada muito no Pará com intenção de dar intensidade).
Mas o que me deixou muito satisfeito foi ter conseguido fazer uma aluna (que todos dizem ser "especial") participar bastante da aula. E isso aconteceu justamente no dia de gravação, portanto, eu fiquei muito feliz por saber que isso será compartilhado com outras pessoas, para demonstrar que o Círculo da Matemática do Brasil pode colaborar intensamente para a educação de forma geral, incentivando a participação dos alunos e, principalmente, fazendo-os gostar de estar naquele espaço aprendendo algo diferente (não só Matemática!).
Poder compartilhar momentos como esse é recompensador pra mim que logo logo estarei trabalhando efetivamente como professor. Com certeza essa experiencia será muito importante para a minha prática docente em sala de aula.
Victor Ribeiro
Belém/PA
Victor Ribeiro
Belém/PA
Elefante branco.
A ideia desse post é ilustrar como uma estrutura física da sala as vezes pode atrapalhar o processo educativo ao criar um foco grande de distração. Em uma das escolas que trabalho existe no fundo das sala uma parede que teoricamente deveria ter um alguma função, em algumas turmas ela realmente é utilizada como armário, após a colocação de portas. Mas em várias outras salas, inclusive aquelas em que trabalhamos, essa paredes servem apenas como um "elefante branco", sem nenhuma função prática positiva. Já em termos negativos ela é um prato cheio, as crianças mais agitadas adoram se esconder atrás, se pendurar e etc. A foto abaixo (tirada no finalzinho de uma aula essa semana) ilustra perfeitamente o tipo de risco que as crianças podem se por ao "brincar" nessa parede. Esse tipo de estrutura dentro da sala de aula acaba fazendo com que muitas vezes eu passe mais tempo preocupado com a integridade das crianças durante a aula (pedindo para que eles não se pendure, querendo saber o que estão fazendo atrás da parede etc), do propriamente dando atenção para aqueles que já se envolveram com a atividade proposta. Ao final, essa estrutura acaba sendo um dos maiores obstáculos para uma aula mais produtiva.Obs: felizmente até hoje nenhuma criança se machucou durante suas peripécias no tal cantinho.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
A brincadeira da Forca.
Desde a minha primeira aula que os meus alunos do 4° ano pedem para brincar de forca, então resolvi fazer uma adaptação da tal brincadeira para a matemática. Desenhei uma boneca e ao invés de escrever palavras, resolvi colocar os números por extenso. Assim, eu fui dando dicas ( esse número é o dobro de setenta, é o triplo de cento e vinte etc...). Foi incrível como essa brincadeira foi divertida porque eles estavam brincando com algo que eles adoram e ainda aproveitaram descobrindo dobros, triplos, quádruplos de muitos números.
Pri Sobreira :)
Pri Sobreira :)
De tudo tirar proveito
Hoje tive que buscar os alunos na Educação Física, por motivos de troca de horário. Então vieram super pilhados pra aula. Concentração ZERO!
Lembraram que sou baixinha e resolveram me zoar, porque tenho alunos maiores que eu. Daí então comecei a aula, perguntei a eles quanto eles achavam que tinha de altura e eles disseram "meio metro!" "não, não. 1 e meio, professora". Fui e escrevi no quadro "1 e meio", perguntei a eles como se escrevia em números. Prontamente foram ao quadro e escreveram "1,30 m" e depois "Altura da professora Priscilla". Então fui indagando a eles a existência de números entre números. Conversamos sobre dinheiro e seus centavos. No fim da aula foram ao quadro e escreveram "1,50 m", porque compararam com o dinheiro. "Tia, eu errei! O metro é que nem o real, precisa de 100 pra formar 1". Não deixei apagar a resposta anterior, porque como já conversei com eles há sempre uma ideia interessante por de trás do erro.
Enfim, meus últimos 45 minutos de aula foram excelentes!
Lembraram que sou baixinha e resolveram me zoar, porque tenho alunos maiores que eu. Daí então comecei a aula, perguntei a eles quanto eles achavam que tinha de altura e eles disseram "meio metro!" "não, não. 1 e meio, professora". Fui e escrevi no quadro "1 e meio", perguntei a eles como se escrevia em números. Prontamente foram ao quadro e escreveram "1,30 m" e depois "Altura da professora Priscilla". Então fui indagando a eles a existência de números entre números. Conversamos sobre dinheiro e seus centavos. No fim da aula foram ao quadro e escreveram "1,50 m", porque compararam com o dinheiro. "Tia, eu errei! O metro é que nem o real, precisa de 100 pra formar 1". Não deixei apagar a resposta anterior, porque como já conversei com eles há sempre uma ideia interessante por de trás do erro.
Enfim, meus últimos 45 minutos de aula foram excelentes!
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